MEU TEMPO DE ESCOLA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Uma vida com todas as letras
Mário Teixeira nasceu em 1968, na cidade de São Paulo. Tem uma renomada carreira literária com obras como "Salvando a Pele", "Alma de Fogo", "O Golem do Bom Retiro" e "A Linha Negra". Além disso, consolidou sua trajetória como roteirista na televisão com séries infanto-juvenis como Castelo Rá-Tim-Bum (1994) e Sítio do Picapau Amarelo (2001-2007), e coautor de novelas como Tocaia Grande (1995), Os Ossos do Barão (1997), O Cravo e a Rosa (2000) e Ciranda de Pedra (2008). O último trabalho, ao lado de "A linha negra", publicado pela editora Ática, foi "Liberdade, Liberdade" (2016), super-série da rede Globo que fez muito sucesso.
O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
Gostava do recreio e das aulas de Religião, porque viajava com as histórias da Bíblia.
Qual a melhor lembrança desse período de escola?
Tia Regina. Foi a única professora que tive que não usava dentadura. E era uma ótima educadora, fazia a tabuada ficar suave. Naquela época chamávamos assim as professoras, "tia", era quase um lá em casa. E elas eram bravas, muito diferente de hoje. Minha filha leva um vidão.
Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?
Gostava de composição (redação). Detestava a Matemática e a Gramática, hoje fiz as pazes com as duas, mas elas continuam zombando de mim.

O que você gostava de comer na hora do recreio?
Pão com mortadela. Mas tinha que me contentar com pão com banana, pão com goiabada.
Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?
Opa, tantas vezes! Eu matava aula numa fábrica de perfumes perto de casa, tinha um pátio grande cheio de amostras de perfume, a molecada fazia guerra com aquilo, ficava com um fedor danado de água de colônia e se entregava. Minha mãe sacava no ato quando eu chegava para o almoço. Os professores não eram bobos, também percebiam.
Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?
Não, tenho que confessar que não. Fui um aluno distraído, por isso não percam as esperanças. Eu gostava de sentar no fundão, mas era pequeno para a idade, e sempre me colocavam no banco da frente, com as meninas. Isso ajudava a aumentar as minhas notas. Eu só ia bem em Comunicação e expressão (Português).
Como começou na literatura?
Mandei uns contos para o meu amigo Marcos Rey, que gostou mas me mandou escrever para televisão, que era o que "dava camisa", como ele dizia. Foi o que fiz. Hoje trabalho na TV Globo.
Já gostava de escrever quando criança?
Sim, uma vez tive uma prova de OSPB (Organização Social e Política do Brasil), eu não sabia a resposta e inventei que me recusava a responder porque havia muita miséria no mundo, que a gente se preocupava com coisas desimportantes, fiz um verdadeiro panfleto anarquista. O professor elogiou a minha capacidade de argumentação e me deu 5. As notas iam de zero a dez. Fiquei satisfeito. Só que, quando tentei fazer de novo, me dei mal, o professor já estava vacinado.
Quais eram os autores preferidos nessa época?
Júlio Verne, Alexandre Dumas, Emilio Salgari, Marcos Rey, Monteiro Lobato, autores de livros de aventuras, capa e espada, de mistério. Eu odiava Machado de Assis, que me obrigaram a ler quando tinha 11 anos. Depois fiz as pazes com ele também, hoje é um dos meus escritores preferidos.
Quando criança, imaginava que teria essa profissão?
Eu sonhava com isso. Não sabia que teria tanta sorte. Faço o que gosto, é divertido, conheço gente nova e interessante. Sou feliz graças a isso: aos livros, aos filmes, aos programas de TV (novelas e minisséries) que me ensinaram lições de tolerância e humanidade.


