Marcio Nigro: "Aos 10 anos, sonhava em ser astro do rock. Botava um disco, tocava uma raquete de tênis como se fosse guitarra e me imaginava no palco"
Marcio Nigro: "Aos 10 anos, sonhava em ser astro do rock. Botava um disco, tocava uma raquete de tênis como se fosse guitarra e me imaginava no palco" | Foto: Pipo Gialluisi/ Divulgação



Rock no palco, alegria na vida
O compositor e produtor Marcio Nigro, nascido em São Paulo, teve bandas desde 12 anos e começou a tocar profissionalmente aos 17 anos. No entanto, fez faculdade de jornalismo. Em 1998, aos 26 anos, deixou a grande imprensa, montou um estúdio de produção musical. Foi quando fez com Tomas Kenedi, amigo desde moleque, o hit internético "Jesus Negão". Por volta de 2003, largou de vez o jornalismo e passou a se dedicar à música. Desde então, ganhou vários prêmios por música para filmes, produziu discos e músicas que fazem sucesso na série "O Show da Luna". O trabalho lançado mais recente é o projeto "Rock Pauleirinha", com rock para crianças, como uma divertida iniciação e homenagem aos diferentes estilos de rock pesado do anos 1970, 80 e 90. Neste projeto, Nigro faz a união do universo das cantigas de roda e folclóricas com o das bandas clássicas do rock pesado, criando canções originais que homenageiam de forma divertida os hinos que fizeram a história do rock.

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?
Jogar futebol certamente era algo que adorava. Também desenhava muito (inclusive durante as aulas). A escola era num casarão grande e antigo. Adorava explorar os cantos remotos, tentando descobrir coisas "secretas". Uma vez, escalei junto com colegas as paredes para subir no sótão. Nem preciso dizer que a diretora ficou uma fera!

Qual a melhor lembrança desse período de escola?
Certamente os amigos. Eu simplesmente amava minha escola. As classes não tinham muitos alunos e a gente conhecia quase todos, dos pequeninos aos mais velhos. Os intervalos duravam 45 minutos, o mesmo tempo de uma aula. Era como se fossemos a escola só pra poder ficar com os amigos.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?
Nunca me dei muito bem com Matemática, especialmente quando apareceu o tal do "x" nos exercícios. Afinal, o que aquela letra estava fazendo entre os números? Mal sabia eu que a coisa ia piorar ainda mais e continuei a brigar com as equações, inequações, trigonometria até o final do Ensino Médio.

O que você gostava de comer na hora do recreio?
Durante anos lembro de pedir na cantina Gini ou Grapette (refrigerantes da época) e cheeseburguer ou misto quente. Nos anos 1980, a cantina só vendia salgadinho, doces e bala, refrigerante e sanduíche. Minha mãe preparava outras coisas como iogurte, enroladinho de queijo e presunto, sanduíche e bolacha, o que na verdade não era muito diferente.

Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?
Bronca era bem normal, castigo não. Nos últimos anos do fundamental minha classe tinha uns oito alunos, quase todos homens. Aí já viu. Certa vez, nos escondemos no armário em silêncio. A professora entrou e ficou esperando a gente entrar. Quando finalmente saiu pra procurar a gente, voltamos para as cadeiras. Quando ela voltou falamos que estávamos lá o tempo todo. Ela deu bronca, mas depois deu risada.

Suas notas eram boas? Qual a disciplina que ia melhor?
Até a metade do Fundamental minhas notas eram boas, depois (no chamado Ginásio) nem tanto, especialmente nas matérias de exatas. Sempre fui melhor em Geografia, História e, mais do que tudo, Inglês e Artes.

Já gostava de compor e cantar quando criança?
Comecei a aprender violão com 9 anos e minhas primeiras músicas apareceram aos 11, junto com uma amigo que é parceiro até hoje. Pegávamos um livro de letras dos Beatles e criávamos músicas em cima das letras das canções que não conhecíamos. A primeira composição realmente original que me lembro chamava "Perdi minha noiva no parque de diversão". Não fez sucesso nem com nossas mães.

Quais eram os músicos e bandas preferidos nessa época?
Dos 10 aos 12 anos escutava Queen o dia inteiro. Quase dedicação exclusiva. Depois disso descobri o rock pesado: Deep Purple, AC/DC, Black Sabbath, Led Zeppelin, Kiss, Iron Maiden e Judas Priest. Antes da fase roqueira, escutava muito Beatles, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Elton John, Gilberto Gil e Rita Lee.

Quando criança, imaginava que teria essa profissão?
Aos 10 anos, sonhava em ser astro do rock. Botava um disco, tocava uma raquete de tênis como se fosse guitarra e me imaginava no palco. Aos 11 anos, comecei a estudar guitarra. Com 12 anos, já tinha uma banda. Tocamos rock pesado numa festa na escola e o salão esvaziou. Heavy metal não era popular na época e percebi que não era fácil ser astro. Acho que fiz o Rock Pauleirinha pra compensar essa fase (risos).

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