Meu pai é um astro
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sábado, 09 de agosto de 1997
Maria Flores Especial para a Folha2 
Ilustração: Douglas MayerSer filho de pai famoso e talentoso não é passaporte para uma carreira profissional bem-sucedida. Mas em todas as áreas, a história vem mostrando que a enorme influência que os pais exercem na vida de seus filhos, quando não se transforma num jogo de disputa, pode render bons frutos.
Entre artistas de teatro, cinema e televisão, é comum que o gosto pelas artes tome conta do clã. O eterno galã brasileiro, Tarcísio Meira, nunca decepcionou suas fãs e providenciou um sucessor para a geração seguinte. Mamãe Glória colaborou, e o filho Tarcisinho segue os passos do pai, com o mesmo ar de Clark Gable nacional.
Na mesma linha de filho de peixe, peixinho é, Paulo Gracindo Júnior herdou o nome e o carisma do pai, Paulo Gracindo. Os dois chegaram a atuar juntos, na novela da Rede Globo O Casarão, interpretando o mesmo personagem, o boêmio João Maciel, nos anos 20 e depois um setentão. Paulo Gracindo chegou a confessar que não gostou nem um pouco quando o filho quis seguir a carreira de ator, não queria que ele vivesse a mesma instabilidade. Gracindo Júnior não deu a menor bola para o conselho do pai, e deu certo.
E para quem imaginava que no ano 2000 tudo ia ser diferente, o romântico Júlio Inglesias já mandou avisar que vai dar sequência à mesmice musical. Depois de viajar da Finlândia até a China, o latin lover anunciou que sua última turnê mundial vai ser em 1999. A partir desta data, os filhos dão continuidade aos 30 anos de carreira do pai. Iglesias se apressou em explicar não se trata de uma despedida do mundo da canção. Nos shows em grandes estádios não me divirto tanto como nos ambientes reduzidos, explicou. O cantor também desmentiu que exista uma competição entre ele e o filho Enrique e garante que o outro filho, Júlio, também tem futuro artístico.
Mas às vezes os grandes astros têm um brilho tão intenso que chegam a ofuscar a luz dos astros menores. Assim como o pai, Nat King Cole, a filha Natalie tem uma voz forte e melodiosa. Regravou uma canção junto com o pai, graças às maravilhas da tecnologia, mas não chega a ocupar o trono dele.
Único filho da cantora Elis Regina (ela morreu quando ele tinha 11 anos) e do jornalista Ronaldo Bôscoli, João Marcelo Bôscoli nasceu em berço de MPB (o pai de criação foi César Camargo Mariano) e não entende a vida sem música. Aos 5 anos de idade aprendeu a tocar bateria, aos 8 decidiu ser produtor, com 12 fez sua primeira gravação e aos 15 anos já tocava na banda de Jorge Benjor. Apesar de toda essa precocidade, o primeiro CD, João Marcello Bôscoli & Cia, lançado em 1995, não estourou. O garoto, que herdou apenas o jeito irreverente da mãe, diz que estourar é coisa de amador. Minha mãe me carregava junto aos estúdios, mas minha música é diferente da de meus pais, justifica. Os fãs de Elis Regina e César Camargo Mariano concordam.
E filho de senador do PT com sexóloga dá o quê? Roqueiro! É o Supla, filho do senador Eduardo Suplicy e da sexóloga Marta Suplicy. Na categoria drogas, da máxima sexo, drogas e rocknroll, leia-se política, o que no fundo não faz muita diferença.


