MEU OURO VERDE - Um lar onde me reconheço como gente
Estar sozinho dentro do Ouro Verde vazio... andando pelo palco antes dos técnicos chegarem... antes dos atores chegarem... antes de começar a montagem das luzes para uma apresentação, é indescritível... estava em casa... estava num lugar conhecido, acolhedor.
Em 1978 foi a primeira de muitas vezes que pisei no palco do Ouro Verde... vinha de Arapongas para apresentar o ''Jogo da Caça ao Pássaro'', éramos um grupo amador. Que medo... ia apresentar no Ouro Verde, no Festival Regional de Teatro - hoje se transformou em Filo. Foi em um domingo a tarde, olhávamos para as pessoas, era tudo tão estranho, parecíamos uns peixes fora d'água, mas não era verdade, estávamos no lugar certo na hora certa e fomos fazer a coisa certa...
Um ano depois vi Macunaíma, de Antunes Filho, nesse mesmo palco e tive a certeza do que queria fazer: além de ser arquiteto, queria fazer teatro e me apresentar naquele palco. Como ator e diretor já percorri muitos palcos, mas nada se comparava a estar no Ouro Verde... Não sei explicar ao certo, acredito que pela magia, pelos técnicos sempre solícitos ou aperto das coxias...
Nesse espaço cresci muito, vi muita coisa boa... muita... as coisas não tão boas ficam no passado... as boas carrego comigo ate hoje.
Nos anos 1980, junto com o grupo Delta e o grande e saudoso Teodoro, fizemos muitas coisas, fiquei nu em ''Toda Nudez Será Castiga'', mas não fui castigado, pelo contrário, conheci um mundo rico e cheio de possibilidades, desse palco saímos para o mundo, fomos bem longe, o sucesso foi tanto que os grupos de Londrina se proliferaram nessa época.
Dirigir espetáculos no Ouro Verde, com a Cia Independente, era o máximo. Orquestrar atores, técnicos, público, uma serie de responsabilidades e prazeres. Ficava na cabine de som e luz, foi aí que aprendi a operar uma mesa de luz. Quando a peça acabava descia depressa para ver o público sair e escutar os comentários, um misto de orgulho e apreensão, sentimentos se misturavam, era bom.
O Ouro Verde vai ser sempre uma casa para mim, casa não... um lar, onde me reconheço como gente.
WAGNER DONADIO, ator, diretor e arquiteto
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