Naquele ano de 1988, eu acabara de chegar a Londrina. Aos nove para dez anos de idade, cursando a quarta série, estava com sérias dificuldades de adaptação à cidade. Também, pudera: não parece ser muito fácil para uma criança dessa idade, advinda da capital paulista, compreender uma nova realidade na qual não mais existiam shoppings, jogos do São Paulo Futebol Clube no estádio do Morumbi ou parques de diversão como o Playcenter. No referido ano, na capital do café, era difícil até mesmo de se encontrar uma padaria aberta aos domingos após o meio-dia para que minha mãe pudesse comprar leite para meu irmão, que tinha pouco mais de um ano de idade na época. Em tempos ainda não globalizados, o cenário era de uma cidade em expansão, mas ainda pequena em comparação ao que as capitais ofereciam.
Eis que na metade daquele ano, fui convidado pelo colégio para participar de uma espécie de gincana cultural, com apresentação de um jogral, que seria ensaiada no Ouro Verde. O primeiro contato com aquele 'gigante' foi inesquecível. O palco, os bastidores, a coxia, as poltronas, tudo foi explorado já no primeiro ensaio, encantando aquele menino recém-chegado da cidade grande. Sim, Londrina tinha algo grandioso, tão gigante quanto o estádio Morumbi, os parques de diversão, os shoppings, e tudo aquilo que a capital bandeirante oferecia e se encontrava em minha saudosa recente memória. Aquele momento mágico talvez tenha sido uma das sementes que fizeram nascer um gosto especial pelas artes.
O tempo foi passando, Londrina crescendo a passos largos, transformando-se em metrópole, e nesse período lembro-me de ter assistido a algumas ótimas peças de teatro. Mas o que marcou profundamente - já como guitarrista, desde 1997, da banda 'Primos da Cida' - foi ter assistido naquele mesmo palco a um show de uma das principais bandas de rock do país, os Titãs, em setembro de 2004. Lembro que durante a apresentação, disfarcei lágrimas que insistiram escorrer de meus olhos. Era uma mistura de emoção com inspiração - para a carreira do PDC, que estava há dias do lançamento do CD ''Pague 12, Leve 13'' - que foi testemunhada pelas paredes do velho Ouro Verde.
O tempo passou mais uma vez e meu último contato com o velho cine-teatro foi no ano de 2010, em um Congresso Jurídico de que participei como aluno de Direito da UEL. Tantos gostos e tantas lembranças que, apesar de terem sido materialmente incineradas no início da tarde daquele paradoxalmente ensolarado domingo, irão se manter para sempre em minha alma. Fica a torcida para que o mais rápido possível sejam levantadas, novamente, as paredes desse gigante que se encontra adormecido.

Alexandre Ceribelli Lóis, guitarrista

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