Sou londrinense e filha de pioneiros. Quando nasci, o Cine Ouro Verde já estava com quase um ano. Durante minha infância, vi meus pais, aos sábados a noite, saírem em traje social para a sessão de cinema no Ouro Verde, onde era um dos locais em que a sociedade da época se encontrava.
Conheci o cinema nas telas do Cine Ouro Verde, nas matinadas e nos filmes de Elvis Presley, em que descobri um mundo novo. Nos anos 80 quantos festivais de Música fui acompanhada pelos filhos, e que nas poltronas do Cine Teatro Ouro Verde aprenderam a amar a Música e o Teatro.
Entrei no Ouro Verde por incontáveis vezes, formaturas e apresentações de música e teatro em diferentes épocas e formas. O Ouro Verde caminhou conosco ao longo de nossa história. Muita emoção e lembranças na memória.
Com o passar dos anos vi ser demolida a Catedral, o prédio da Prefeitura, o prédio da Associação Comercial e tantos mais ao redor, mas a visão do Galho de Café do Ouro Verde me dava a certeza da vitória de nossa gente, e parecia me dizer ''Ainda estou aqui. Somos filhos desta terra. Somos Pé Vermelho''.
E agora? Muita tristeza e a vontade de reconstrução, para que novas gerações de londrinenses possam subir os degraus do nosso Ouro Verde e em suas poltronas viverem novas emoções.

Rosangela Maria Zortea Daher é bancária aposentada

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