MEU OURO VERDE - E a arte entrou no sangue
Quando eu garro para fugir da realidade da vida, é na minha infância que me escondo. É descendo as ruas de paralelepípedos que da ''Santos'' se chegava rapidinho à ''Paraná''.
Logo encontro um luminoso verde e vermelho, que para mim já era parte do espetáculo. Foram tantos ''Marcelino Pão e Vinho'', ''Meu Pé de Laranja Lima''. A bombonière e os sofazinhos cinza de esperar abrir as correntes para o público e logo em seguida ouvir a música tema ''Summer Place'', do filme ''Amores Clandestinos''. Depois, a casa dos festivais universitários, e quando já ator, minha casa mesmo, meu teatro, meu dia.
Saudades dos meninos que tocaram como heróis aquele gigante, minha bilheteira preferida! A arte que entrou no meu sangue, veio de um vírus lá do Ouro Verde. Dos dias de Theodoro e Nitis. O cinemão que estreou com ''Quando meu coração canta'', o lindão com seu jardim emudeceu, e nós perdemos todos um pouco da nossa história.
João Henrique Bernardi é diretor do grupo teatral Casa das Fases
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