Final dos anos 70. Na adolescência morava na Vila Casone e era apaixonado pela minha vizinha. Mas ela não sabia. Fazia de tudo para ficar próximo dela.
Tínhamos grande curiosidade por arte e cultura em geral. Eu gostava de desenhar e já estava tendo uma experiência com fotopintura, aquelas reproduções antigas em que as fotos eram pintadas artesanalmente. Ela curtia música, gostava de cantar. Um dia resolveu entrar para o Coral da UEL, e, como os ensaios terminavam um pouco tarde da noite, resolvi acompanhá-la. Pegávamos o ônibus Yara-Higienópolis e descíamos ao lado da Catedral.
Toda semana tinha ensaios de naipe - ela era soprano - e eu ficava esperando-a, sentado no salão do último andar do Edifício Júlio Fuganti, onde era a Casa de Cultura da UEL. Já íntimo do pessoal do Coral, o maestro Othonio Benvenuto resolveu fazer um teste comigo. Disse-me que a minha voz era de tenor 2...
A arte coral foi a minha primeira experiência com a música. Viajamos e cantamos em vários festivais. Foram inúmeros teatros e espaços importantes, como a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.
Mas onde nossas vozes ganhavam brilho e encantavam mais ainda a plateia era no Cine Teatro Ouro Verde, nossa casa.
E o meu canto era apenas para uma pessoa...

Walter Ney, fotógrafo

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