Meu nome é Bean, Mister Bean
Nenhuma novidade, a indústria de cinema adaptar histórias bem sucedidas provenientes de outros veículos de difusão: obras literárias, peças de teatro, séries televisivas e até letras de músicas. ''Johnny English'', também em lançamento nacional a partir de hoje (confira a programação de cinema na página 2), pode ter sido o primeiro filme que trouxe para a tela grande uma peça publicitária, exatamente a série de anúncios que o ator inglês Rowan Atkinson fez na Europa para um cartão de crédito, entre 1992 e 1997. Ele fazia o papel de um espião sempre muito próximo de acidentes, e com a cara de Mr. Bean era praticamente impossível que a publicidade não alcançasse sucesso. Atkinson gostou tanto que se empenhou na adaptação, agora pronta e entrando simultaneamente em grande circuito internacional - a exceção é a estréia nos Estados Unidos, que ficou para o segundo semestre.
Estamos às voltas com a enésima paródia humorística dos filmes de James Bond - aqui espinafrado pelo popular Rowan ''Bean'' Atkinson. O selo é inglês como o original, recorrendo aos símbolos britânicos tradicionalmente mais característicos (a Coroa e sua decantadas jóias) e recuperando o ancestral antagonismo entre Inglaterra e França graças ao vilão da história, Pascal Sauvage (John Malkovich). E involuntariamente se beneficiando com as recentes escaramuças entre Tony Blair e Jacques Chirac por contas das diferenças em relação ao Iraque. E para garantir os laços com a saga de 007, a produção incorporou os roteiristas Neal Purvis e Robert Wade, autores das duas últimas histórias com o agente de Sua Majestade.
O argumento é simples o suficiente para não interferir na missão de Atkinson. Os melhores agentes secretos inglês morrem por equívoco, de modo que o burocrata Johnny English vira a bola da vez e sai a campo para evitar o roubo das já mencionadas jóias e salvar o país de uma conspiração. É claro que sua capacidade é nula mas por acidente ele acaba um grande herói. Muita confusão acaba por colocar literalmente por terra este universo glamouroso, fervilhando de tecnologia.
O problema principal deste tipo de filme é que, apesar de razoavelmente divertido, está sustentado por situações de comicidade muito conhecidos, a maioria delas congestionando comédias do mesmo estilo ou mesmo entregues descaradamente no próprio trailer que antecede o lançamento. Assim, originalidade e surpresa ficam comprometidos, e somente resta esperar que a execução seja a mais talentosa possível. O problema maior em ''Johnny English'', ainda que não seja um filme absolutamente descartável, é sua excessiva e total confiança em Rowan Atkinson, ator muito divertido desde que na dose certa. Sua comicidade se sustenta sempre no rosto pouco atraente, nos gestos e nos maneirismos, na forma de se auto-ridicularizar como um ser não poucas vezes mesquinho. Assim, o Mr. Bean é Johnny English e vice-versa, o que de certa forma limita o registro do ator, mesmo que desta vez tenha outro nome ou se cerque de outras circunstâncias.(CELJ)





