'MEU NEGÓCIO É O ACORDEON' - Homenagem especial para Dominguinhos
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
<br> Reportagem Local 
Dominguinhos subirá ao palco do Municipal no próximo dia 28, como grande homenageado da sexta edição do Prêmio TIM de Música. Para celebrar essa homenagem, a cantora Gal Costa, grande amiga e madrinha artística, topou o convite da organização do Festival para entrevistar o sanfoneiro, recordando momentos que passaram juntos e comprovando a grande ligação que existe entre os dois.
Tive a alegria de ter você em um trabalho meu chamado Índia. Vivemos grandes aventuras naquela época viajando o Brasil todo e até mesmo o exterior. Você ainda tem medo de viajar de avião?
Tenho e MUITO. Naquela época do Índia, mesmo com medo, eu ainda viajava. Agora, nem Jesus Cristo me faz subir em um avião. Só viajo de carro.
Quais os momentos mais marcantes que você recorda do tempo que trabalhamos juntos?
Nunca vou esquecer da oportunidade que você me deu, me convidando para tocar no seu show e, além disso, deixando que eu tocasse duas músicas enquanto você fazia a troca de figurino. Isso me deu uma projeção enorme. É uma coisa que a gente não esquece, ainda mais quando vem de uma amiga como você.
Você já pensou em fazermos um novo trabalho juntos?
Claro, inclusive estou planejando gravar um DVD e você é uma convidada da qual faço questão. Penso muito em fazer várias coisas com você. Espero que você aceite.
Considero você um dos maiores músicos do Brasil e sei que você não tem formação acadêmica. Você acha importante um músico ter formação acadêmica para ser respeitado, como acham alguns músicos brasileiros?
É importante sim, mas para que o músico possa aprender a tocar melhor, ter mais informação. Para ter respeito, não faz a menor diferença. Para ser respeitado, basta tocar bem.
Qual a maior riqueza de informação que você adquiriu com a convivência com os tropicalistas?
Eu vinha de um outro aprendizado, especialmente seguindo a escola do Luiz Gonzaga. De repente, surgiu a Tropicália, que me enriqueceu muito, pois mostrou um outro universo, apresentou artistas que eu nem conhecia.
Você não pensou em aprender a tocar piano, se é que você toca, já que o acordeon é tão proximo dele?
Durante muitos anos, o acordeon foi considerado obsoleto, especialmente com o surgimento da bossa nova. Inclusive, agradeço a você e ao Gilberto Gil por tirarem o acordeon do ostracismo. Neste momento, fiquei muito triste, mas nem cogitei tocar piano, não quis nem tentar aprender, pois ficaria muito frustrado em tocar piano sem ter o aprendizado devido.
E algum instrumento de sopro? Você toca algum? Com a sua grande musicalidade sei que você poderia tocar muitos instrumentos.
Gostaria muito de tocar sax tenor, mas nunca tentei aprender. Meu negócio é o acordeon mesmo.
Já gravei algumas canções românticas suas como De amor eu morrerei, mas muitos associam você com músicas mais festivas, especialmente o forró. É mais fácil para você compor canções alegres?
Eu prefiro mesmo as mais singelas, mais românticas.
De tudo que você compôs, tem alguma música especial para você? E das canções de outros autores que você interpreta, qual a que você mais gosta?
A música que eu compus que é mais especial para mim é Dengo da Bahia, que fiz em sua homenagem, há muitos anos. Já dos outros artistas, gosto de muita coisa, não consigo eleger só uma. Tem várias do Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Sivuca e Radamés Gnatalli.
Você é o legítimo sucessor de Luiz Gonzaga. Você enxerga, na nova geração, alguém capaz de sucedê-lo?
Tem muita gente boa. O Waldonys, do Ceará, é um grande sanfoneiro e canta muito bem. O que não falta são artistas talentosos trilhando esse caminho.
Acho essa homenagem do Prêmio TIM mais que justa. Você está feliz?
Estou muito feliz, ser homenageado no Prêmio TIM é ter um reconhecimento por uma carreira que construí com muito sacrifício. E veio em um momento difícil da minha vida, pois perdi minha filha Madaleine, aquela que você foi no aniversário de 15 anos dela. Hoje, ela estava com 49 e partiu no dia 15 de março. Mas a vida segue.


