Meu mundo por uma revista de palavras cruzadas
Um medo ronda a cabeça dos aficionados por palavras cruzadas e somente um adepto, praticamente desde que aprendeu a escrever, é quem pode revelar esse temor: ''Quando as soluções são publicadas erradas, a gente quer cobrar de alguém porque, se as respostas não vierem da publicação, de onde mais poderão vir? Dá vontade de ligar para as redações, mandar e-mail...'', desabafa o jornalista José de Arimathéia, 39 anos, que, desde que se conhece por gente, gosta de preencher os quadrinhos.
Provavelmente, Arimathéia seria um concorrente forte no Campeonato Mundial de Passatempos, realizado, no ano passado, no Rio de Janeiro. O jornalista londrinense é capaz de resolver um teste de palavras cruzadas no nível difícil em cinco minutos.
Para conseguir dormir tranquilo, Arimathéia não deixa para amanhã o que pode fazer hoje. ''Se não consigo resolver uma questão, eu costumo procurar nas soluções a resposta'', afirma Arimathéia, não considerando isso uma... digamos assim... falta de ética de jogador, já que esgotou todas as outras possibilidades.
Para encontrar a resposta certa, antes de consultar as soluções, o jornalista recorre ao dicionário, mas a leitura prévia e os conhecimentos gerais são o principal trunfo dos jogadores. ''Acho que as pessoas que gostam de palavras cruzadas gostam de ler, têm capacidade de concentração e exercitam essa habilidade. Também são curiosas'', avalia Arimathéia.
Entre as coisas que mais irritam os adeptos, além de erros na elaboração ou solução do passatempo, é alguém querendo pegar carona no jogo alheio, sem que lhe peçam opinião. Essa é uma regra de etiqueta básica entre os aficionados. (F.L.)





