METRALHADORA GIRATÓRIA
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terça-feira, 30 de janeiro de 2001
André Bernardo TV Press 
A moderação no falar nunca foi uma das virtudes de Mauro Rasi. O autor teatral sempre foi do tipo que diz o que vem à cabeça. E a língua ferina de Rasi anda mais afiada que nunca. Atualmente, ele destila seu humor no quadro A Hora do Alçapão, do Fantástico. Nele, Rasi não poupa ninguém e ataca desde políticos até artistas em geral. Todos, sem exceção, estão sob a mira do cáustico dramaturgo. Nunca fui de bajular ninguém. Já existe muita gente na tevê para isso, critica.
Mal o quadro estreou e Rasi já achincalhou o ex-senador Luiz Estevão, o dirigente Eurico Miranda, a companhia telefônica Telemar e até o grupo As Meninas, todos cachorros mortos. O convite partiu do diretor geral do Fantástico, Luiz Nascimento, que pediu a Rasi que mantivesse o estilo iconoclasta da coluna que escreve num jornal carioca. Antes de aceitar o convite, Rasi pediu plena liberdade para falar o que bem entendesse. Humor serve para discutir questões que afligem a população ou simplesmente para desopilar o fígado. Caso contrário, vira o Canal 26 da Rede Vida, ironiza.
O quadro A Hora do Alçapão marca o paulatino retorno de Mauro Rasi à tevê. Nos anos 80, ele provocou boas gargalhadas ao escrever para os seriados Armação Ilimitada e TV Pirata. Já nos anos 90, tentou emplacar o seriado As Tias de Mauro, mas foi defenestrado da Globo pelo então todo-poderoso da emissora, Boni. No ano passado, adaptou o episódio Um Edifício Chamado 200 para a série Brava Gente. Segundo ele, sua atuação na Globo não deve ficar restrita ao quadro do Fantástico. Quem sabe não ajudo o Guel Arraes a implantar novas séries? Projeto é o que não me falta, gaba-se.
Desde que estreou no Fantástico, você já sofreu muita crítica por causa do A Hora do Alçapão?
Já recebi tantas críticas na vida que acabei me acostumando a elas. Mais uma, menos uma, não faz diferença. A priori, não tenho a intenção de agredir ninguém. Mas, quando falo mal do Luiz Estevão, é claro que ele não vai gostar. E não é para gostar mesmo. Na maioria das vezes, as pessoas entopem o meu e-mail para elogiar as coisas que escrevi. Elas sabem que tenho razão. Quando falo mal da Telemar, todo mundo que não consegue falar ao telefone me dá razão. Não é verdade?
A Globo impôs algum tipo de restrição sobre o que você pode e não pode falar?
Não. Na coluna que escrevo, também falo mal de todo mundo, independentemente de partido político ou emissora de tevê. Já cansei de meter pau nas novelas da Globo. Por que não haveria de falar mal delas no Fantástico? Se for preciso, falo mesmo. Sempre fui de falar o que bem entendo. A tevê não é o meu principal ganha-pão. Vivo do teatro. Não tenho nada a perder.
O que você pretende ao falar mal de tudo e de todos?
A idéia do diretor Luiz Nascimento ao me convidar foi a de dar um respiradouro às matérias mais pesadas exibidas pelo Fantástico. Mas o que me move mesmo é a possibilidade de levar o telespectador à reflexão. Não quero o deboche pelo deboche. Quero levar o público de casa a refletir melhor sobre o que ele anda lendo, vendo ou ouvindo.
Qual é o seu próximo projeto na Globo?
Pretendo voltar a atuar na tevê como autor. Tenho alguns projetos em vista, mas não quero adiantar nada senão vai parecer factóide. Na tevê, não sei trabalhar com outras pessoas a não ser o Guel e o Jorge Fernando. Já fizemos muita coisa juntos. A tevê anda carente de bons programas como Armação Ilimitada e TV Pirata.
Você descarta a possibilidade de, um dia, estrear como autor de novelas?
Descarto. Tenho a impressão que dormiria no capítulo 23. Só faço trabalhos curtos. O meu trabalho é o mais autoral possível. E todo mundo quer meter a colher na novela dos outros. Só faço produções de até 12 capítulos. Acho que nem o Dostoievski se sairia bem como autor de novelas. Mesmo assim, não desisti de adaptar Pérola para a tevê. Acho que daria uma ótima minissérie.


