Com o objetivo de estimular a leitura, trabalhar os mais diferentes gêneros textuais e incentivar o senso crítico, o ''Projeto Leitura de Mundo'' da Escola VillasBoas tem utilizado a Folha de Londrina há quatro anos para esse fim.
Da educação infantil até à oitava série, os alunos utilizam o jornal para pesquisas, reconhecimento de textos instrucionais (como os da coluna Gastronomia, onde os verbos no imperativo das receitas publicadas auxiliam na aprendizagem), leitura das crônicas e principalmente dos textos jornalísticos - que pela sua factualidade atraem a atenção dos alunos.
''O projeto é realizado uma vez por semana, mas quando é necessário ampliamos essa frequência para atender a demanda do aluno. Através da leitura de mundo, eles vão ficando mais críticos e formando a própria opinião'', explica Priscila M. Grandolffi da Silva, coordenadora pedagógica do Fundamental 1.
A coordenadora da educação infantil, Merci Quirino, reforça a importância desse apoio da escola em parceria com a família: ''Não dá para a escola deixar de fazer essa mediação com a participação dos pais. Os alunos precisam de outros tipos de informação além dos livros didáticos e de literatura. O jornal traz diversidade para a sala de aula, proporcionando aulas mais interessantes''.
O jornal muitas vezes também traz inevitavelmente notícias trágicas da atualidade e uma das que mais chamou a atenção dos alunos no ano passado foi o terremoto no Haiti, que ocasionou a morte da médica sanitarista Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança. ''As crianças ficaram chocadas com o que viram e isso nos motivou a trabalhar a questão da solidariedade. Fizemos doações de roupas e produtos básicos para a multimistura da Pastoral da Criança'', contam as coordenadoras.
Atualmente um dos assuntos mais abordados pelo jornal é o da dengue e na escola o tema tem gerado debates e reflexão nas diferentes turmas. Em uma turminha do Nível 4, da educação infantil, uma aula prática sobre como fazer o soro caseiro chamou a atenção dos alunos. Utilizando uma colher medidora, se divertiram com o preparo da mistura de sal e açúcar em um copo de água. ''Algumas crianças até tiveram a oportunidade de provar o sal e o açúcar pela primeira vez. A parte prática ajuda muito na assimilação de conteúdo, que foi trabalhado anteriormente com o auxílio do jornal'', comenta a professora Angela Diniz.
Os direitos e deveres dos alunos dentro de um enfoque mais cidadão também está sendo trabalhado com os estudantes. Em uma outra turma do Nível 4, da professora Kelly Mayara Barbosa, um gibi da Turma da Mônica abordando o assunto foi o mote para apresentar o Estatuto da Criança e do Adolescente. O direito à vida, à educação, à moradia, à saúde e à infância foram alguns pontos destacados. ''Com as turmas mais velhas, aproveitamos os espaços de opinião do leitor da Folha - como as seções de Cartas e Espaço Aberto - para também discutir essa questão dos direitos e deveres'', lembra Priscila.
Nas aulas de produção de texto da professora Paula Nogueira, com os alunos do 5º ano, reportagens da Folha de Londrina servem para estimular a criatividade na hora de escrever. Já nas aulas da professora Patrícia Marques Pereira Lopes, com alunos do 3º ano, as tirinhas de jornal, além das charges e crônicas publicadas na Folha, ajudam na aprendizagem gramatical e ortográfica.
As charges e textos jornalísticos também não faltam nas aulas de apoio de português. ''É uma forma bem legal de capacitar os alunos a uma melhor interpretação de textos'', diz o professor Fernando Marquezin.
No ano passado, o projeto se estendeu aos alunos de 6 à 8 série e as matérias sobre as eleições foram as mais trabalhadas com os alunos, que ficaram mais motivados a compreender o processo político eleitoral. ''O uso do jornal estimula o aluno a refletir sobre questões locais ou globais e proporciona um canal de debates que muitas vezes não pode ser preenchido pelo material didático'', afirma Samuel Vinícius Neves de Araújo, professor de História.

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