METODOLOGIA - Um jeito contagiante de aprender Física
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
A maioria dos alunos torcem o nariz quando o assunto é a aprendizagem de física ou matemática. No Colégio Estadual Nossa Senhora de Lourdes, em Londrina, a reação era a mesma até o projeto ''Clube de Ciências Pequenos Einsteins'' entrar em ação neste ano.
Liderado pelo professor de física Thiago de Oliveira Borges, mais conhecido entre os alunos como ''TH'', o projeto tem conseguido transformar a aversão pelo prazer do conhecimento. Entusiasta e defensor de uma escola pública de qualidade, TH está ''contagiando'' essa ideia em seus alunos do ensino médio.
Realizados duas vezes por semana, durante duas horas, os encontros dos integrantes do clube acontecem na parte da tarde, no contraturno das aulas regulares. Sentados em círculo, os alunos têm a oportunidade de aprofundar conteúdos relacionados à física, mas também conectados à matemática, química, biologia e até arte, já que utilizam conceitos artísticos para, por exemplo, elaborar maquetes.
Bem-humorado e extrovertido, TH partilha o conhecimento de uma forma informal e parece acertar em cheio a atenção e interesse dos alunos. ''Quando decidimos montar o clube, abrimos 25 vagas, mas 178 alunos se interessaram. Então, tivemos que fazer uma seleção, baseada no desempenho escolar e grau de interesse, e acabamos por escolher 68 alunos'', lembra o professor.
''Percebemos que muitos deles tinham interesse pelo conhecimento científico, pelas ciências em geral, mas desejavam aprender isso de uma forma que a carga horária normal acaba não permitindo'', acrescenta.
Com a proposta de construírem juntos o saber, além das discussões sobre os conceitos e estudos de textos teóricos, há um forte enfoque na parte prática. Atualmente os estudantes estão finalizando os Discos de Newton feitos de discos de vinil e DVDs; diversas maquetes também já estão prontas para a feira de ciências. Elas abordam temas como as energias elétrica (''Casa da Cinderela''), solar e aeólica.
Baseada nos conceitos desenvolvidos por Galileu Galilei, os alunos também estão aprendendo a construir uma luneta astronômica montada com tubo de PVC e lentes divergente e convergente - o primeiro modelo desenvolvido pelo cientista que chegou a ser declarado suspeito de heresia pela ousadia de suas descobertas.
Com formação também em artes cênicas, TH sugere aos alunos a utilização de fantoches para uma explicação mais eficiente dos conceitos da física para as crianças que visitarão os trabalhos expostos no dia da feira. Para a mostra, que irá acontecer em novembro, ainda estão sendo preparados um teatro e paródias musicais envolvendo os conceitos científicos.
Antenados com as novas ferramentas de comunicação, os alunos divulgam informações sobre o projeto pelo Orkut, Facebook, MSN, Twitter (@cbpeqeinsteins) e blog (peqeinsteins.blogspot). Segundo o professor, há registro de apenas seis clubes de ciências no Brasil, sendo o dele o único formalizado no Paraná, o que reforça a importância da sua iniciativa.
O projeto ainda agrega espaço para estágio de alunos de graduação em física. É o caso de Felipe Franco Costa, no primeiro ano do curso. ''Muitos professores de formação avançada têm dificuldade em passar o conhecimento adiante e acho importante buscarmos formas mais interessantes de ensinar as disciplinas de exatas, que não são priorizadas no Brasil'', comenta.
Aliás, segundo o professor Thiago, a demanda atual no País é de 150 mil engenheiros. ''E precisamos cada vez mais de físicos, matemáticos e químicos para auxiliar na formação desses profissionais'', acrescenta.
A diretora Tânia Cristina Firmiano Tudisco reforça que o projeto está incentivando uma melhor aprendizagem e um sentido maior de pertencimento entre os alunos. ''Eles estão valorizando mais a escola pública e tendo espaço para canalizar a energia inerente à fase que estão em algo produtivo, que irá ajudar nas escolhas profissionais que logo terão que fazer'', destaca.
No final, um grande abraço coletivo no pátio da escola marca o momento em que os alunos fazem um fechamento do que aprenderam no dia, sendo um espaço aberto para observações pessoais e interação entre eles.


