METODOLOGIA - Inteligência emocional também se aprende na escola
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
O dia a dia escolar é cheio de emoções. Disputas por território, brinquedos, pela atenção dos colegas e professores; lidar com as diferenças e os preconceitos e aprender a dividir são apenas algumas das situações bastante comuns nas escolas. Resolver os conflitos é um desafio constante e na Escola O Peixinho, de Londrina, a educação emocional tem sido uma ferramenta eficiente para trabalhar essas questões e favorecer a uma aprendizagem mais integral do aluno. "Não é só a parte cognitiva, o desenvolvimento intelectual, que é importante. É preciso investir também no aspecto emocional para que o aluno tenha estrutura para lidar de forma saudável com os seus conflitos e frustrações. O aluno com mais equilíbrio emocional vai ter menos problemas de indisciplina no futuro", avalia a diretora educacional Daniele Zoéga Della Barba.
O "Projeto Inteligência Emocional" tem sido aplicado há cinco anos e uma vez por semana os alunos se reúnem com a psicóloga Herika Kuasne para fazer uma série de atividades que tem como foco conhecer melhor os próprios sentimentos, as emoções e refletir sobre o quanto eles afetam as reações pessoais diante de momentos de conflito. "Ter um momento para essa reflexão já é um primeiro passo para a mudança. Precisamos aprender a perceber como estamos nos sentindo, os hábitos que mantemos, a forma como falamos. Tudo isso interfere na nossa vida", salienta a psicóloga. Há um planejamento dos encontros, mas o trabalho é dinâmico e pode incluir temas pontuais que exijam uma intervenção mais rápida em determinada turma.
O projeto é realizado desde a educação infantil (com crianças a partir de 3 anos) até o quinto ano do ensino fundamental 1. Os encontros acontecem na sala de aula e tem duração média de 50 minutos. No caso das crianças menores, o tempo é reduzido para 30 minutos, e envolve mais contação de histórias e dramatizações. O enfoque é a aprendizagem de habilidades sociais (habilidades de civilidade, expressividade emocional, entre outros). "Pode parecer que os alunos da educação infantil são ainda muito pequenos para esse tipo de trabalho, mas não são. O trabalho é bem lúdico e eles conseguem absorver o sentido da proposta, mesmo que ainda não tenham o domínio da fala. É impressionante ver como correspondem bem", observa a diretora.
A professora Silene Ferrari, do primeiro ano do fundamental 1, aposta no projeto como forma de também reduzir o individualismo das crianças. "Elas estão cada vez mais individualistas e a educação emocional ajuda a desenvolver a ideia da importância do outro, de que aquilo que não gosto, que não me faz bem também não pode ser feito com o outro. O saber falar, sem agredir, também é bem trabalhado e muito útil para o cotidiano deles. Esse projeto é um suporte importante para o professor", afirma.
Já a professora Silvana Paulino Magalhães, do quinto ano do fundamental, ressalta o quanto os alunos conseguem contextualizar o que vivenciam no projeto com a vida deles. "Eles estão em fase de transição, em plena pré-adolescência, vão mudar de escola no ano que vem e o projeto consegue abordar uma série de demandas. Drogas, sexualidade, a interação entre os colegas, a insegurança diante das mudanças são assuntos trabalhados e que ajudam realmente a prepará-los melhor para a vida", conclui.
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