METODOLOGIA - De olho na pesquisa escolar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Ana Paula Nascimento <br> <br> Reportagem Local 
A internet veio para ficar, não há dúvida, mas isso aumenta ainda mais a responsabilidade das escolas na orientação adequada da sua utilização, principalmente na área de pesquisa escolar. Incentivar os alunos a não desprezar as fontes de informações impressas também é um outro desafio. ''Os alunos de hoje fazem parte de uma geração do ritmo acelerado, da informação em tempo real, e muitas vezes focar o trabalho de pesquisa nos livros parece para eles algo obsoleto'', comenta a professora de Química Luciana Mangieri, do Colégio Marista.
No caso da sua disciplina, ela diz que procura ''desmistificar'' o estudo das ciências exatas e biológicas como algo que estaria distante do cotidiano de todo nós - e para isso procura utilizar a tecnologia a seu favor. Recentemente seus alunos do nono ano do fundamental 2 ao terceiro ano do ensino médio realizaram uma pesquisa sobre termos químicos citados em seriados norte-americanos como CSA e House. Para o trabalho, os alunos utilizaram, em média, três sites indicados pela professora.
''Nós trabalhamos com o conceito de aprendizagem significativa e ao entrar no mundo deles, que utilizam muito as novas tecnologias, eles nos surpreendem, apresentando trabalhos de qualidade no movie maker'', relata, lembrando que os alunos também desenvolveram um trabalho de pesquisa sobre a tabela nutricional contida em rótulos. Lipídios, glicídios, corantes e emulsificantes foram alguns dos elementos ''traduzidos'' e testados em laboratório.
Nas aulas de Português, a professora Rita Mendes confirma que incutir nos alunos a importância da ''estratégia de comparação'' diante de um leque imenso de informações se tornou ainda mais importante. Nas suas aulas de linguagem argumentativa, os alunos partem das notícias publicadas na edição impressa da Folha de Londrina para pesquisar posteriormente a abordagem que foi feita da mesma informação pelo jornalismo on-line.
''Até sugiro pesquisas em periódicos e livros, mas o impulso natural deles é ir direto para o digital. A Wikipedia vem com tudo e sempre precisamos estar reforçando a necessidade de checarem as informações com fontes mais confiáveis. Nem tudo é legítimo no mundo virtual e ainda dependemos de fontes tradicionais para muitas coisas'', afirma.
Iniciação à pesquisa
Diferentemente dos alunos maiores, os trabalhos de pesquisa com os alunos da educação infantil e dos primeiros anos do fundamental ainda consideram os livros impressos uma importante fonte de pesquisa. Segundo a coordenadora pedagógica Cristina Nogueira de Mendonça - responsável pela educação infantil até o quarto ano do fundamental -, as fontes mais utilizadas são livros (principalmente os com imagens) e revistas. Caso sejam necessárias informações da internet, elas devem ser lidas pela família e sistematizadas junto com as crianças.
''Trabalhamos com várias dimensões do processo investigativo e orientamos os pais que abandonem a ideia da 'resposta certa'. É preciso estimular nas crianças a elaboração de hipóteses e a habilidade de observar. E, mesmo que elas ainda não sejam alfabetizadas, não podemos desprezar a capacidade de leitura de mundo que elas têm'', reforça. Nesse caso, há registros do aprendizado em desenhos elaborados pelas crianças ou em forma de texto coletivo com a participação de uma ''professora escriba''.


