METODOLOGIA - A Criatividade aguçada através dos números
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Muitos ainda torcem o nariz quando o assunto é aula de Matemática, mas para muitos estudantes da 1 à 4 série do ensino fundamental de Cambé o aprendizado está ficando cada vez mais divertido. Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, de Cambé, cerca de 450 professores da rede estão tendo a oportunidade de descobrir formas mais criativas de ensinar a disciplina de uma maneira menos formal e criativa.
Há três anos a secretaria está investindo em um trabalho de formação continuada com os professores, da qual também participam alguns professores de escolas estaduais. As aulas não são obrigatórias, mas a adesão chega a quase 50% do corpo docente do município. Os interessados podem participar dos módulos do curso uma vez por semana, no período da noite, ou na parte da manhã, aos sábados.
Sob a coordenação da assessora de Matemática, Raquel de Oliveira Segura, que também é especialista em Educação Matemática e mestre em Educação, os professores formam grupos de discussão sobre alguns eixos da Matemática, como os números e as operações; como trabalhar com o espaço e a forma (área de geometria); grandezas e medidas; resolução de problemas e avaliação de aprendizagem. A alfabetização também recebe uma atenção especial durante o curso, já que ela é fundamental para que as crianças se familiarizem com os conceitos matemáticos a partir da infância.
''O nosso objetivo é que os professores estejam com os conceitos de Matemática bem formalizados antes de iniciarem um trabalho de intervenção que leve em consideração a teoria e a prática desse conhecimento universal'', destacou Raquel. ''Procuramos definir em conjunto estratégias de ensino que aproximem a 'Matemática da escola' da vida do aluno, do seu cotidiano. Podemos partir desde uma discussão sobre o melhor aproveitamento do espaço físico da escola, com um estudo de área, até atividades em que se defina o melhor direcionamento das receitas da escola'', exemplificou.
Dentro desse novo jeito de trabalhar a Matemática, que vem ganhando força a partir da década de 90, os conceitos de geometria ganham mais visibilidade até nas aulas de Artes, quando podem ser feitas análises das formas geométricas tendo como referência cestas, chapéus e tranças feitas de papel. As garrafas plásticas de leite longa vida também se transformam em ''pinos de boliche'' e servem para ajudar as crianças a compreender as casas decimais, já que na frente de cada pino há um número. Brincando, as crianças aprendem a contar e a perceber a relação entre os números.
''Defendemos a idéia que a criança tem mais facilidade de trabalhar com a disciplina, que aparece de forma bem natural nas suas brincadeiras, do que com o mundo das letras, que é mais abstrato no começo da sua alfabetização'', explicou Raquel. Devido à essa naturalidade que as crianças demonstram, a professora acrescentou que muitas vezes os educadores não intensificam esse aprendizado e é justamente isso que irá causar uma certa lacuna, no futuro, desse aprendizado.
''O aluno que domina a Matemática acaba ficando mais instrumentalizado para resolver os problemas do seu cotidiano, tem um raciocínio rápido e uma melhor capacidade de organização do pensamento. Por isso, precisamos ter uma abordagem que vá além do livro didático, que contextualize mais e proporcione exemplos mais reais.''
Para Raquel, é necessário ''parar de ver a Matemática só como a ciência que faz conta''. ''Tanto os professores quanto os alunos precisam perceber o conceito histórico da Matemática, que foi se desenvolvendo ao longo das necessidades do homem. Os ábacos foram os nossos primeiros instrumentos de cálculo e em um processo cada vez maior de aprimoramente hoje já temos sistemas computadorizados extremamente avançados'', afirmou.


