Método de Antunes Filho será enfocado em livro
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sábado, 04 de agosto de 2001
Valmir Santos<BR>Agência Folha 
Para quem começou a carreira como ator amador, fazendo uma ponta na histórica montagem de Hamlet (1948), protagonizada por Sérgio Cardoso, é natural que o encenador paulistano José Alves Antunes Filho, 70, apelidado Zequinha na juventude, tenha dedicado boa parte dos 53 anos de carreira à formação de atores, praticamente uma obsessão.
Antunes sempre resistiu à concepção de um método pelo método, mas a aura de guru, de mestre, de pegadogo do ofício do intérprete, tampouco lhe escapou.
Como o colega japonês Tadashi Suzuki, diretor da Companhia de Toga (SCOT), que nos anos 60 criou o Método Suzuki de Interpretação, no qual conjuga a energia animal do ser humano como força de expressão e o teatro com viés social e espritiual, Antunes teve suas técnicas de treinamento sistematizadas nos últimos 20 anos à frente do Centro de Pesquisa Teatral (CPT/Sesc SP).
É a partir dessa perspectiva que o pesquisador Sebastião Milaré prepara Hierofonia - O Teatro Segundo Antunes Filho (escreve o segundo capítulo, mas ainda não tem editora).
Trata-se do segundo livro de sua autoria sobre o encenador. O primeiro, Antunes Filho e a Dimensão Utópica (ed. Perspectiva, 1994), pincelou a biografia e pontuou a carreira desde 1948, passando pelo carregador de cafezinho dos diretores do Teatro Brasileiro de Comédia - os italianos Adolfo Celi, Ruggero Jacobbi, o polonês Ziembinski etc -, o teleteatro e a lendária montagem de Macunaíma (1978).
Hierofonia, título que empresta a definição do teólogo romeno Mircea Eliade para o lugar da manifestação do sagrado, será dividido em três partes.
A primeira vai historiar o repertório do CPT, de Macunaíma a Drácula e Outros Vampiros (1996). Na medida que apresento cada peça, vou examinando a introdução do conhecimento no método, a incorporação de elementos da psicologia analítica, da mecânica quântica, do taoísmo, do zen-budismo, da nova física, explica Milaré, 55.
Na segunda parte, o autor irá se debruçar sobre a teorização do método. Os exercícios como o desequilíbrio, a bolha, o princípio da incerteza e da complementaridade, enfim, eles foram condensados ao longo dos anos, racionalizados até constituírem um método, diz o pesquisador.
Milaré dedicará a terceira e última parte à série Prêt-à-Porter, que começou em 1998, a Fragmentos Troianos (1999) e a Medéia, processos que, na sua concepção, foram desenvolvidos após o fechamento do método - o ponto alto de depuração seria Paraíso Zona Norte (1989).
Entre as ferramentas que incorpora, como a retórica, uso persuasivo da linguagem e o paradigma holístico teoria segundo a qual o homem é um todo indivisível , Antunes está sempre observando o homem, a busca da superação de suas dificuldades e limitações por meio do conhecimento, afirma.
O produtor cultural Ricardo Muniz Fernandes, que também organiza o livro PP1, PP2, PP3 e PP4, sobre a série de não-espetáculos do CPT, diz que o lançamento deve acontecer até setembro, pela editora Senac. A obra reunirá artigos de pensadores e filósofos, além de ensaios fotográficos.


