Quase nem deu tempo para piscar. Isso porque Gisele Bundchen passou mais do que rapidinho pela passarela da São Paulo Fashion Week que começou na segunda-feira no Parque do Ibirapuera. A modelo gaúcha, de chapéu e macacão utilitário risca-de-giz, fez uma única entrada no desfile de Ricardo Almeida, na abertura da SPFW. Uma hora e meia antes de pisar na passarela, em uma cerimônia especial - mas também relâmpago - Gisele já tinha doado parte do cachê (pago pela Telesp Celular) para o programa Fome Zero. Ninguém tocou nos valores - tanto do cachê quanto da doação.
Passado o furacão Gisele, o povo da moda volta a respirar mais tranquilo - se é que isso é possível, já que até sábado, quando termina a maratona, terão acontecido 40 desfiles. E o primeiro dia da São Paulo Fashion Week deveria ter sido o mais masculino de todos - dos seis desfiles programados, três eram exclusivamente masculinos. Mas eis que Gisele - ela de novo - marcou presença na passarela de Ricardo Almeida e, acreditem, a Ellus trocou todo o elenco masculino por mulheres.
Duas estréias também marcaram a segunda-feira fashion. Uma delas foi a primeira-dama Marisa Letícia da Silva, que assistiu ao desfile de Ricardo Almeida, responsável por alguns ternos do presidente Lula. A outra foi a do estilista-mirim Pedro Lourenço. Filho de Glória Coelho e Reinaldo Lourenço, Pedro, de apenas 12 anos, fez a sua estréia na São Paulo Fashion Week ao apresentar a sua primeira coleção para a grife Carlota Joakina. A curiosidade era geral, claro.
Na passarela, algo tipicamente adolescente: tênis. Mas tudo isso com um olhar de quem já convive no mundo da moda desde bebê. Os tênis foram descontruídos e viraram muitas amarrações nas roupas. Quem estava preparado para criticar alguém-tão-jovem-com-tanta-responsabilidade teve que repensar os comentários.
E no que promete ser a tendência para os homens, Mario Queiroz aposta no rústico masculino. De uma visita ao maior cajueiro do mundo (que fica no Rio Grande do Norte), o estilista trouxe a inspiração para a passarela. Sertão fashion mostra jeans tinturado com destaque para os tons verdes.
No mundo de Sommer - totalmente à parte das tendências e afins - Moscou descobre as líderes de torcida. Ou seria o contrário? A questão - coincidência ou não - é que depois de assinar a sociedade com João Paulo Diniz, a coleção inverno de Sommer está menos volumosa (nada de saia-urso de pelúcia).
A silhueta está mais colada ao corpo, os tons mais escuros, mas ainda tudo muito divertido. E dá-lhe glitter e brocado.
Para Renato Loureiro, a homenagem é para os anos 60. Tudo muito elegante com a linha A marcando presença nas saias, vestidos e casacos. Num processo chamado por ele de coenização, o tricô fica mais encorpado então quase tudo na passarela era sim, tricotado. Mas o que todo mundo achou que eram flores aplicadas, na verdade eram mesmo desenhos de amebas (!), numa alusão à psicodelia.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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