A voz extraída do estômago e os olhos no monitor sinalizam a nova era de bandas metaleiras londrinenses. Elas ainda navegam pelo underground, mas agora, na internet.
''Se não existisse a internet, a gente também não existiria. Hoje todos os meios de divulgação, como o Myspace, YouTube, entre outros, são bem-vindos'', afirma Gian, vocalista da Sétimo Selo, banda formada ainda por Chico (vocal), Daniel (baixo), Rodrigo Skill (bateria), Geraldo (guitarra) e Léo (guitarra).
O Sétimo Selo está na fileira dos pós-hardcores alinhados ao metal cristão.
Geralmente, as bandas nascem fazendo cover, como a Certain Time. Depois de um tempo tocando juntos, os músicos misturam as influências dos integrantes João Antônio Brancalion (vocal), Thiago Piva (guitarra), Fernando César de Abreu (guitarra) e Daniel Silva (bateria).
''As nossas influências não vêm só do hardocore, mas do power metal e iron metal. A gente foi mesclando as coisas'', conta Brancalion, lembrando que a banda já figurou em nono lugar entre as mais acessadas no Myspace brasileiro.
O mundo virtual ainda é o principal palco das bandas londrinenses, que têm se apresentado ao vivo em várias cidades paranaenses e interior de São Paulo, mas sempre com estrutura precária.
César, vocalista da Fim do Dia, formada por Valter (guitarra), Estello (guitarra), Bruninho (baixo) e Fernando Armani (bateria), lamenta que a cena na região ainda é pequena.
Daniel Silva acrescenta que os shows poderiam lotar, mas a maioria dos metaleiros não quer pagar e curte o som do lado de fora.
''Falta profissionalismo. Alguns tocam por diversão e realizam shows mas não existe nenhuma organização'', questiona César, lembrando que a banda batalha há um ano para gravar um CD. Grana é coisa rara no bolso de metaleiro.
Silva explica que os integrantes da Certain Time têm atividades paralelas. Ele acrescenta que é comum novos grupos surgirem e desaparecerem por falta de incentivos. ''Já chegamos a receber R$ 50 para dividir em cinco integrantes'', conta.
A inspiração vem do cotidiano. ''A gente tenta passar a realidade da cidade. Não adianta querer falar de coisas globais. Tivemos bastante escândalos políticos na história recente. Isso serve de base para a nossa música'', comenta César.
Mas é o preconceito, ainda, que mais atrapalha a carreira das bandas londrinenses. Até a vertente cristã convive com o problema.
''Na igreja, as pessoas não entendem que com um vocal gutural a gente quer passar algo. As letras têm algum sentido e não é só aquele discurso, convidando para a igreja'', afirma Gian.
Para tentar acabar com o preconceito e a falta de apoio, os metaleiros estão investindo na produção.
A Certain Time ''limpou'' e se preocupa com a produção de fotografias. ''Para atrair as pessoas estamos apresentando uma boa imagem dos músicos, boas fotos e um site legal'', conclui Brancalion.

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