Nelson Sato
De Londrina
Está tudo ali. Tudo o que você queria saber e nem o fã-clube oficial conseguia informar, está nas páginas de Sepultura – Toda a História, primeira biografia autorizada da banda brasileira de maior sucesso no exterior.
O livro chega ao público pela editora 34, a mesma que já abasteceu os leitores ligados em música com títulos dedicados ao heavy metal, movimento punk, blues, reggae, pop brazuca da década de 80 e outros. O lançamento acontece hoje na Galeria do Rock, em São Paulo, com a presença da banda.
O livro tem pouco mais de duzentas páginas. É entupido de fotos, muitas delas jamais publicadas na imprensa. Logo na abertura, os irmãos Max e Igor Cavalera aparecem clicados fazendo pose black metal quando tinham respectivamente 15 e 14 anos de idade.
‘‘Não era mole a vida de metaleiro no Brasil de 1983’’ é a frase que abre o livro. ‘‘Nada mal para uns moleques que só queriam copiar o Venom’’ é a frase que tampa o volume. Entre uma e outra, os biógrafos André Barcinski e Silvio Gomes percorrem a saga da banda, do início da carreira quando tocavam em pocilgas minúsculas de Belo Horizonte até o estrelato quando já dividem palcos internacionais com nomes como Ozzy Osbourne, Slayer e Metallica.
Toda uma sucessão de episódios pitorescos, engraçados e trágicos é passada a limpo incluindo a célebre treta que culminou com a saída de Max Cavalera. Os autores contam, por exemplo, que foi depois de assistir a um show do Queem no estádio do Morumbi, em São Paulo, que os meninos decidiram montar uma banda de rock.
Mostram como o gosto musical deles foi mudando rapidamente. Num trecho, escrevem: ‘‘A casa dos Cavalera era repleta de imagens de santos e de exús. Max e Igor misturaram toda essa religiosidade às mensagens infantis das bandas death metal e logo se converteram à ‘música do demo’. Chegaram a pichar na parede do quarto: Templo de Satã.’’
Por volta de 1985, os dois irmãos começaram a fazer vaquinhas entre os amigos para comprar discos importados. Juntando o dinheiro de 30 ou 40 pessoas, viajavam 600 quilômetros de ônibus até São Paulo e compravam de 10 a 15 discos de uma vez. De volta a Belo Horizonte, reuniam a turma para ouvir as novidades e gravar fitas.
O livro mostra como o prestígio do Sepultura foi crescendo de disco para disco, tanto no Brasil como no exterior. Os autores enchem a bola do guitarrista Andreas Kisser, que entrou no lugar de Jairo Guedes a partir do terceiro álbum. Afirmam que ele foi o responsável pela diversificação do som do Sepultura impedindo ‘‘que o grupo se estagnasse no death metal, gênero musicalmente limitado e avesso a outras influências’’.
O baixista Paulo Xisto, por sua vez, tem sua reputação manchada nas páginas. O livro explica por que ele não tocou nos discos ‘‘Schizophrenia’’ (1987), ‘‘Beneath the Remains’’ (89) e ‘‘Arise’’ (91). É o próprio baixista quem expõe os motivos: ‘‘Não sei o que me dava. Eu sabia as partes, mas ficava nervoso e errava muito. Como a gente não tinha dinheiro para pagar o estúdio, não dava para ficar perdendo tempo...’’
Boa parte da biografia é dedicada aos relatos das turnês internacionais. Na primeira delas, o Sepultura fez shows de abertura para a banda alemã Sodom. A excursão que durou quatro meses foi marcada por tensões, com os alemães procurando humilhar o tempo todo os brazucas. A partir de 1991, já consagrados internacionalmente, os mineiros começam a tocar em estádios para milhares de fãs e como atração principal da festa.
Foi no final desse ano que eles decidiram se mudar para os Estados Unidos, onde estão até hoje. Com o início do romance entre Max e Gloria Bujnowski, a empresária do grupo, a unidade interna começa a rachar e surgem os primeiros conflitos entre os integrantes que culminam com a turbulenta saída de Max depois que a empresária ganha as contas.
O livro remexe as feridas e termina dedicando o último capítulo à nova fase da banda, já com o norte-americano Derrick Green nos vocais. As páginas finais trazem a discografia completa do Sepultura incluindo os títulos piratas mais bem gravados e de maior importância histórica.

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