Metal e lona viram arte no Sesc
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 2009
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
A projeção de novos artistas depende, entre muitos fatores, de espaços regulares para exposição de seus trabalhos. Em Londrina, o Sesc virou endereço de referência no circuito local das artes visuais, atendendo tanto aqueles que desejam mostrar sua experiências estéticas quanto o público interessado em apreciá-las.
Ali, a rotatividade de exposições é intensa ao longo do ano. As jovens artistas Regina Satiko Takagui e Letícia Albanez são as escaladas da vez. A primeira expõe gravuras em metal no Espaço Cultural (hall de entrada) e a segunda reúne pinturas em óleo e acrílica sobre lona no Espaço Art (1º andar). Regina, que apresenta pela primeira vez suas criações ao público, batizou a exposição de Memórias.
O título é um convite íntimo a cada um que pousa o olhar sobre as flores gravadas e encontre nelas a sua flor, as suas experiências pessoais, lembranças, memórias de encontros e desencontros, explica ela. Os quadros são frutos de pesquisas realizadas no ano passado para o trabalho de conclusão de curso (TCC) em Artes Visuais na UEL.
Letícia, por sua vez, é estudante do 3º ano no mesmo curso. Já montou duas exposições anteriormente. Desta vez, apresenta uma série de 24 pinturas em pequenas dimensões que retratam portas, escadas, cadeiras, janelas e maçanetas. Tenho buscado traços e gestos mais espontâneos. Me interessa a lona rasgada, machucada; as cores fortes e sujas; as figuras ocas e vazias; as imagens manchadas e poluídas, salienta.
Ela explica que os objetos representados têm uma forte relação com a representação do corpo: São objetos encontrados em locais íntimos e pessoais como quartos e salas, locais cotidianos. O registro dessas imagens, dessa interioridade emocional, funciona como um auto-retrato. O corpo como a cadeira que espera; como os altos e baixos das escadas; como as maçanetas que ora fecham, trancam; ou como uma porta aberta, que às vezes pode ser tudo o que a gente precisa, diz.
Curiosamente, todas as imagens são acompanhadas de versos de canções. A artista explica que procura unir a linguagem verbal à linguagem plástica, de forma que elas formem um só corpo: As palavras tanto têm um valor com conteúdo literal, como também acabam se tornando uma imagem plástica. Várias das frases vêm de músicas que ouço enquanto trabalho.
As duas exposições têm curadoria de Maria Irene Pellegrino de Olivera Souza.
SERVIÇO
Memórias - Regina Satiko Takagui
A Porta ainda está Aberta - Letícia Albanez
Quando - Até 29 de maio, de segunda a sexta, das 8h às 22h
Onde - Sesc (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Mais informações - (43) 33
78-7831 e 3378-7800


