Metáforas sobre a vida moderna
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
''Estou interessado na atitude e inspiração diante da estrutura que montamos. É uma reflexão sobre a vida, sobre o medo. É cheia de metáforas, sobre a sobrevivência, a condição humana e sua luta, o caos.'' Essa é a explicação de Jacques Heim, criador e diretor do espetáculo estadunidense Diavolo Dance Theatre, que une dança, circo, teatro, artes plásticas e está em cartaz hoje, em apresentação única em Curitiba, no Teatro Guaíra.
O espetáculo, criado em 1992, utiliza várias estruturas onde os dez bailarinos, acrobatas, atores e alpinistas fazem diversos movimentos, saltos, vôos e cambalhotas, em 18 atos diferentes. Tudo em um cenário surreal climático e metafórico, em tom de crítica ao cotidiano da sociedade moderna. A obra do inglês Henry Moore, por exemplo, serve como base para uma escultura de ferro utilizada na coreografia de ''Foreign Bodies''. ''É parecido como quando você vai a um museu, que depende da interpretação de cada um sobre uma obra. O Diavolo tem muitas metáforas, muitas maneiras diferentes de você interpretar a arte, é como se fosse uma pintura abstrata viva'', destaca Heim, que falou dos Estados Unidos para a Folha por telefone.
Como a estrutura é fundamental para a apresentação, pois os integrantes do show precisam ficar pendurados e utilizar as peças para realizar suas manobras, o grupo carrega aproximadamente quatro toneladas de equipamento em todas as viagens que faz. Um dos momentos preferidos do público e do diretor, segundo o próprio Heim, é o ato ''Trajectoire'', em que o grupo utiliza um galeão de 4 metros de largura por 3,5 metros de profundidade e 1,5 metro de altura em um movimento de equilíbrio e vai-e-vem que simboliza a sensação de perda nos relacionamentos modernos. ''Gosto porque é muito bonito, diz um pouco sobre destino e destruição, e o público gosta porque quando é bem-feito e está bem conectado ao grupo o resultado são movimentos simples, porém agressivos e poderosos'', explica.
O Diavolo Dance Theatre passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Santos e Belo Horizonte antes de chegar a Curitiba. Em seguida, o grupo vai Porto Alegre, onde se apresenta no sábado, e depois segue para a Itália. Jacques Heim afirma que o espetáculo, não importa onde aconteça, é sempre o mesmo. ''Nós fazemos exatamente o mesmo show em todos os lugares. As pessoas são as mesmas, o que muda é a cultura e o ambiente onde isso acontece. Os brasileiros têm respondido bem, até porque o Diavolo tem um visual orgânico e visceral'', opina o diretor.
Além dos espetáculos, Heim também cuida de um projeto social realizado em Los Angeles, base do grupo, onde o ''Learning to Fly'' utiliza técnicas do Diavolo Dance Theatre para encorajar as pessoas. ''Fazemos esse trabalho com crianças que sofreram maus-tratos, com pessoas que perderam um pouco a confiança. Com os movimentos tentamos fazer com que elas tenham um compromisso com o esforço de ganhar confiança novamente. Quando elas notam que podem 'voar', sentem que podem fazer qualquer coisa'', diz.
SERVIÇO
- Espetáculo Diavolo Dance Theatre
Quando - Hoje, às 21h
Onde - Teatro Guaíra (R. Conselheiro Laurindo, s/nº), em Curitiba
Quanto - 1º Balcão a R$ 100 e 2º Balcão e Platéia a R$ 60, com meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos
Mais informações - (41) 3304-7900 ou pelo site www.tguaira.pr.gov.br.


