O colombiano Alvaro Restrepo retorna ao Festival Internacional de Londrina (Filo) depois de sete anos, trazendo na bagagem parte de uma tetralogia que será apresentada no mês de agosto, na Alemanha. O público poderá conferir o resultado das coreografias ‘‘Pequeño Requiem’’ e ‘‘El Pais de Los Ciegos’’, hoje, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde. Amanhã, Restrepo mostra outro espetáculo, resultado de um trabalho com garotos colombianos.
Restrepo esteve no Filo nos anos de 1993 e 1994. Parte do público do festival poderá rever a mistura de dança-teatro do colombiano, o que ele prefere definir simplesmente como um trabalho de expressão.
Sozinho no palco, Alvaro Restrepo faz de ‘‘Pequeño Requiem’’ uma homenagem póstuma a sua irmã, Mônica, socióloga que morreu no ano passado, aos 39 anos. Ela coordenava o Programa Nacional dos Sem-Teto na Colômbia, e durante toda a vida trabalhou a serviço dos mais necessitados. ‘‘Essa é uma peça íntima, lírica, que nasce no recôndito da alma de Alvaro como criador’’, explica o assistente de direção, Leopoldo Cambariza. O espetáculo é uma associação de imagens poéticas cujo fio condutor é uma atmosfera de viagem à memória.
A montagem também carrega um contraponto de tristeza e alegria. ‘‘Sendo um réquiem, é interessante que tenha passagens divertidas. É uma homenagem festiva à tragédia da morte’’, justifica Cambariza. Além da música do compositor lituano Arvo Part, ‘‘Pequeño Requiem’’ traz composições de Cuba, Nicarágua e Venezuela.
Representando o elemento ar, ‘‘Pequeño Requiem’’ é o ponto de partida para a tetralogia iniciada por Restrepo no ano passado. A segunda parte – a terra – está contextualizada em ‘‘El Pais de los Ciegos’’, um espetáculo de dança contemporânea protagonizado pelo bailarino colombiano Jahir Cambindo e coreografado por Restrepo. ‘‘A montagem tem a intenção coreográfica de destacar o componente africano na mistura racial colombiana’’, antecipa Leopoldo Cambariza. ‘‘Tudo está construído como um rito de enraizamento e como uma viagem ligada à terra. A origem, o nascimento, o deslocamento e o desarraigamento. Essa é a relação entre a terra que recebe o morto e a terra que dá a vida; a terra que dá o alimento e a terra que arrasa’’.
‘‘El País de Los Ciegos’’ é inspirado em um conto do escritor inglês H.G. Wells, com ambientação nos Andes colombianos. ‘‘Em síntese, o espetáculo é uma metáfora sobre o drama e a aceitação das diferenças entre os seres’’, observa Cambariza.
As duas partes finais da tetralogia – que abordam os elementos água e fogo – estão sendo concluídas por Restrepo para a estréia em Hamburgo. ‘‘Pequeño Requiem’’ e ‘‘El Pais de Los Ciegos’’, como define o assistente, vêm funcionando como laboratório de criação, apesar de serem consideradas peças completas.
A outra faceta do trabalho de Alvaro Restrepo poderá ser conhecida amanhã no Filo. Ele coordena um grupo experimental com meninos e meninas de 13 a 17 anos, pertencentes a classes humildes da sociedade colombiana. O Grupo del Colegio del Cuerpo realiza um trabalho estético e social com essas crianças, partindo de uma ‘‘nova ética do corpo’’. Com direção de Alvaro Restrepo, os próprios bailarinos criaram as coreografias dos espetáculos ‘‘Variaciones sobre una Danza Coreana’’ e ‘‘Alma de las Cosas’’, que serão mostrados amanhã no festival, a partir das 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde.
• ‘‘Pequeño Requiem’’ e ‘‘El Pais de Los Ciegos’’, da Athanor Danza Compañia Alvaro Restrepo, da Colômbia. ‘‘Requiem...’’ – Direção, coreografia e atuação: Alvaro Restrepo. Assistência de direção: Leopoldo Cambariza. Luz: Sérgio Pessanha. ‘‘El Pais...’’ – Direção, coreografia e iluminação: Alvaro Restrepo. Atuação e assistência de direção: Jahir Cambindo. Duração: cerca de uma hora.

mockup