Nos anos 30, era comum dizer que Count Basie conseguia impor seu suingue em apenas uma nota. O pianista foi um band-leader tão respeitado que chegou a ofuscar talentos como Duke Ellington, Artie Shaw e Benny Goodman. Todos tiveram altos e baixos, mas Basie manteve linearidade no padrão elevado de quem revelou Billie Holiday, Jimmy Rushing, Joe Williams e muitos outros. Sua big band era considerada uma escola de virtuoses.
Basie é a atração do programa de estréia da série ‘‘Jazz Collection’’, que o Eurochannel começa, a partir de hoje, a exibir toda segunda-feira, às 20h30 - reapresentações às terças, às 13 horas. A série tem oito documentários que destrincham vida e obra de grande nomes do jazz.
O segundo episódio, no dia 12, também traz um peso pesado. Louis Armstrong não foi importante por sua voz rouca ou aspecto risonho. Seu estereótipo causava irritação nos músicos do be bop, que consideravam sua postura servil ao homem branco. Mas Dizzy Gillespie, Miles Davis e companhia não negavam a importância de Armstrong na história do jazz. Era um músico tão competente que ampliou o alcance de seu instrumento, o trompete, em uma oitava. Armstrong também configurou o mainstream da época e revelou inúmeros compositores e instrumentistas.
Outro que dedicou a vida ao instrumento foi B.B. King, que está no documentário do dia 19. Conta a lenda que, no início de carreira, Blues Boy King tocava em um botequim que começou a pegar fogo. O músico fugiu do local, mas lembrou que sua guitarra havia ficado no palco. King arriscou-se entre as chamas para recuperar o instrumento, sob argumento de que morreria de fome se o perdesse.
Com um timbre característico, B.B. King é um dos mestres do blues elétrico com fraseados curtos e vibratos longos. Durante sua extensa carreira, emplacou diversos clássicos, se aproximou do rock, do jazz, da música pop e do funk. Aos 73 anos, o bluesman continua na ativa.
O quarto programa traz uma jazzwoman de geração mais recente. Dee Dee Bridgewater tem uma carreira irregular, iniciada na década de 60 mas pouco reconhecida. A cantora chegou a se afastar do circuito jazzístico. Mas, nos anos 80, o reconhecimento veio quando voltou a ser lembrada pelo público americano, auxiliada por Ray Charles.

mockup