MESTRE SALU PUXA O MARACATU
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de maio de 2001
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Foi carregando cana e convivendo com a comunidade de Aliança (PE) que Manoel Salustiano Soares se encantou pela rabeca, um violino caseiro que, pelas suas mãos, enfeitiçou Siba, do Mestre Ambrósio, e Antônio Nóbrega. O instrumento continua arrebatando adeptos, desde o maestro José Gramani, já falecido, a violeiros como Pereira da Viola.
A verve rabequeira de Mestre Salu se expande em uma paixão pela cultura popular, especialmente a de Pernambuco. O instrumentista começou incentivando manifestações como o maracatu, cavalo marinho, mamulengo, coco, caboclinho, forró, frevo e outras. É esse universo que ele pretende retratar hoje no espetáculo Sonho da Rabeca, às 21 horas no Cine Teatro Ouro Verde, dentro da programação do Filo.
Mestre Salu se tornou uma personalidade tão importante para os festejos populares que ganhou a admiração de Ariano Suassuna e foi reconhecido como doutor honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Como um verdadeiro mestre de cerimônias, Mestre Salu vai conduzindo o público por ritmos e folguedos, ao mesmo tempo em que sola a rabeca e improvisa nos versos.
No Sonho de Rabeca vou apresentar o cavalo marinho, coco, caboclinho , forró de pé-de-serra, frevo, maracatu. Há um espetáculo explicando todas as atividades populares e a função de cada elemento, comenta, em entrevista por telefone.
Mestre Salu não é doutor à toa. As artes que representa estão impregnadas em sua própria formação: Comecei com sete anos de idade. Hoje estou com 55. Eu sou uma pessoa do campo que no fim de semana se dedicava ao maracatu, ao caboclinho, ao mamulengo.
Veterano do ofício, o rabequeiro não tem dúvidas de que será bem recebido. Já fui a São Paulo e ao Rio de Janeiro, e o povo sempre me recebe com boa aceitação. Eu abri o Rock in Rio, e também tive boa recepção, acentua.
As atividades de Mestre Salu e mais 39 componentes do Maracatu Piaba de Ouro vão além das apresentações. A Secretaria Municipal de Cultura está abrigando uma exposição com instrumentos musicais inclusive as rabecas fabricadas pelo músico , fantasias e artefatos de festejos populares, que poderá ser visitada até o dia 30. Mestre Salu também está coordenando uma Oficina de Maracatu na Escola Municipal de Teatro, até amanhã. E na terça-feira, no Cesa da Universidade Estadual de Londrina, Mestre Salu vai dar uma aula-espetáculo, a partir das 14 horas. Um roteiro curto e intenso, carregado de brasilidade.


