Julio Shimamoto escreve história em quadrinhos desde a década de 50. Estreou profissionalmente numa revista de terror publicada pela editora Ebal. Mais tarde, depois de colaborar aqui e ali, foi convidado por Mauricio de Sousa para desenhar uma tira no jornal Folha de S.Paulo.
Surgia asssim, ''O Gaúcho'', que frequentou o jornal de 1964 a 1965. Nos anos 70, fez uma carreira bem-sucedida na publicidade conquistando prestígio e muitos prêmios. Cansado e com saudades dos quadrinhos, pediu demissão da agência da propaganda em que trabalhava para voltar à arte sequencial.
Assinou histórias eróticas e de terror para diversas editoras incluindo Bloch, Vecchi e Grafipar. Sua colaboração na revista ''Spektro'' ajudou a transformá-la numa lenda dos quadrinhos nacionais. Na época, desenhou também para diversos fanzines de circulação restrita.
Na década de 80, o aperto financeiro o obrigou a voltar para a publicidade, período em que fez storyboards e manuais de treinamento para empresas. Em meados dos anos 90, foi puxado outra vez para a antiga paixão publicando nas revistas Metal Pesado, Fêmea Feroz e HQ - Revista do Quadrinho Brasileiro.
Nos últimos anos, tem produzido histórias para a editora Opera Graphica. Sua trajetória, contudo, vai além de sua atuação como criador. Shimamoto estabeleceu reputação também como militante sindical fundando com alguns amigos a Associação de Desenhistas de São Paulo (Adesp), através da qual lutavam pelos direitos dos artistas nacionais.
Acabaram sendo boicotados pelas grandes editoras, e a idéia naufragou. Ao sair dessa empreitada, foi convidado para integrar a Cooperativa Editora de Trabalho de Porto Alegre (CETPA) ao lado de nomes como Flavio Colin e Renato Canini. Com o golpe militar de 1964, a entidade foi extinta.
Atualmente, o mestre mora no bairro Jacarepagúa, no Rio de Janeiro, onde montou um estúdio-oficina.(N.S)

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