Mestre do pagode faz a folia
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domingo, 10 de fevereiro de 2002
Antônio Mariano JúniorReportagem Local 
O descaso da mídia nunca vai ofuscar o talento de um bamba. Fosse o contrário, Almir Guineto já teria pendurado involuntariamente as chuteiras e deixado uma vaga preciosíssima no rol dos grandes sambistas brasileiros. Tudo bem, ele já teve melhores momentos em sua carreira. Mas nunca deixou que modismos sonoros fizessem ruídos em sua obra com propósito único de se manter em evidência. Em outras palavras, manteve-se coerente. E é com essa elegante postura artística que Almir Guineto retorna a Londrina para um show que acontece amanhã, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, dentro das festividades do carnaval de rua da cidade.
O repertório é baseado em Todos os Pagodes, nome do mais recente disco em que o sambista carioca relê alguns de seus maiores sucessos acompanhados por amigos, entre outros, como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Alcione e, vejam só, Mano Brown (do Racionais MCs) e o sertanejo Sérgio Reis. Portanto, não vão faltam pepitas como Mel na Boca, Caxambu, Insensato Destino, Saco Cheio além de músicas inéditas incluídas também no disco. Guineto estará acompanhado por uma banda composta por Tinta e Teco (percussão), Chocolate (bateria), Ratinho (cavaco), Tocão (banjo), Sérgio (violão) e Duda (flauta transversal).
A trajetória de Almir Guineto, carioca nascido no Morro do Salgueiro, está associada à música ele veio de uma família de instrumentistas. Profissionalmente, a coisa toda começou na década de 70 como instrumentista do extinto Originais do Samba. Além de ser um dos fundadores do prestigiado Grupo Fundo de Quintal, ele foi durante 15 anos diretor de bateria da Escola de Samba A cadêmicos do Salgueiro a vaga foi preenchida por seu irmão, mestre Loro.
A carreira-solo deslanchou quando fez o Brasil todo cantarolar Mordomia, partido alto que venceu o MPB-Shell, em meados de 80. Com uma discografia composta por 13 itens, Almir Guineto foi o responsável por introduzir o banjo no pagode. Por essas e outras é que Guineto já inscreveu seu nome na história da MPB, mais especificamente no samba. A seguir os principais trechos da entrevista que o cantor e compositor concedeu, por telefone, à Folha2.
Você andava sumido das paradas. O que aconteceu?
Eu parei de gravar porque acabou o contrato com a outra gravadora. A proposta que eu tinha era fazer um disco ao vivo, de gravar show ao vivo. Eu não aceitei porque a qualidade de som nunca sai bem.
Atualmente podemos dizer que há representantes do pagode autêntico e os pagodeiros de butique. Concorda?
Cada um faz o que quer. Na vida, não se pode julgar nada antes de ver... Tá certo, tem merdas mas tem muitas coisas boas que estão aí e outras que ainda estão por acontecer. Música é uma coisa muito séria e por isso não se pode brincar com os sentimentos das pessoas.
Em seu novo disco há participação do Mano Brown. É um apelo comercial?
Não, é amizade de longa data. Soube que ele era meu fã, nos aproximamos e acabou que ele participou do disco
Você ainda participa ativamente das atividades do Salgueiro?
Não. Estou em São Paulo e não tenho ido ao Rio de Janeiro há muito tempo. Escola de samba é uma vida muito difícil. Eu tenho contas a pagar, tenhos filhos e prefiro passar o carnaval trabalhando.
Você se considera uma referência no samba?
Eu? Nada disso, sou um simples guerreiro.
Serviço:
Show com Almir Guineto. Amanhã, a partir das 21 horas, no Autódromo Internacional Ayrton Senna de Londrina. Ingressos a R$ 2,00 que podem ser adquiridos no local. A apresentação faz parte do carnaval de rua de Londrina.


