MESTRE DO BERIMBAU TOCA COM ORQUESTRA
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sexta-feira, 20 de outubro de 2000
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
Percussão é sinônimo de vida. Se o coração não batesse não haveria vida. Parece simples mas o maior percussionista do mundo, Naná Vasconcelos, leva isso muito a sério. Tanto que, em tudo o que toca, o som vibra. Fora de Curitiba há 30 anos, Naná está de volta para um concerto inesquecível, amanhã, às 10h30, no Teatro Guaíra, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Paraná, sob a regência do maestro Gil Jardim. A entrada é franca e os ingressos devem ser retirados na bilheteria do teatro.
Para Naná Vasconcelos, o primeiro instrumento do ser humano é a voz e o melhor é o corpo. É assim que trabalho: usando a voz e o corpo, a orquestra me acompanha. Sou um improvisador, portanto livre. A vida me levou a isso. Nunca fiz outra coisa - disse ontem em entrevista.
Vivendo em Nova York há 26 anos, Naná não escolhe estilos. Toco folclore, cancioneiro, punk-rock, música religiosa, free-jazz, de Villa-Lobos a Jimmi Hendrix.... Mas quando faço a minha música, é a brasileira. E o que ele define como brasileira é a que não toca nas rádios. A que não tem compromisso comercial. A que não é produto, é documento.
O Concerto para Berimbau e Orquestra, composto por Naná, em 1980, vai ser tocado no Brasil, amanhã, pela terceira vez. Mas a Europa toda, o Japão e os Estados Unidos já conhecem faz tempo. A música instrumental brasileira é muito mais apreciada fora. No Brasil, a definição do que faço é: isso não vende.
Em uma análise rápida, Naná argumenta que a cultura brasileira precisa da palavra. A bossa-nova estourou falando de amor, o tropicalismo, de problemas sociais, agora é a vez da palavra dança. Os instrumentistas brasileiros têm uma barreira a transpor.
A vinda do percussionista a Curitiba deve-se ao seu amigo Gil Jardim. O maestro foi convidado a reger a OSP e tive a liberdade de escolher um repertório e o solista. Na verdade o repertório que está sendo feito tem muito a ver com o que eu faço, como eu vivo e como entendo música. Professor de direção orquestral e percepção na USP, ele trabalha com os alunos a música erudita. Mas, profissionalmente, há anos dedica-se a um campo mais abrangente da arte, atuando com grandes nomes nacionais como Egberto Gismonti, Naná, Milton Nascimento e Gilberto Gil.
Isso tem trazido para mim uma reflexão muito grande de como é possível estar fazendo música indistintamente do gênero; como posso trabalhar com música erudita e popular. Uma vez maestro acabo sempre trabalhando com uma orquestra e o encontro com essas pessoas é sempre quando os repertórios deles estão voltados para o trabalho orquestral


