Mestre das colagens
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de novembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
DJ Shadow tornou-se figura de proa da música eletrônica já com seu disco de estréia. Quando foi lançado, em 1996, ''Endtroducing'' empilhou elogios da crítica mundial. A revista Muzik o considerou o mais importante álbum do gênero de todos os tempos. A Spin o incluiu entre os 15 melhores títulos da década de 90.
Depois, DJ Shadow sumiu e reapareceu assinando o projeto U.N.K.L.E ao lado do produtor James Lavelle. Também aclamado, o disco da parceria contou com participações de Thom Yorke, Mike D e Richard Ashcroft em faixas que misturavam hip hop, trip hop e breakbeats. Agora, o DJ californiano volta à cena com ''The Private Press'' (Universal), sem provocar tanto impacto mas revelando o mesmo talento para saquear trechos de composições alheias e editá-los em colagens abrasivas.
O disco abre com chiados de vinil gasto rodando na agulha, uma voz feminina e um piano quase inaudível ao fundo. Na segunda faixa, ''Fixed Income'', batidas quebradas na linha dos Chemical Brothers acompanham o pulso do baixo. É um dos pontos altos do CD ao lado de ''You Can't Go Home Again'', também com um baixo vigoroso, e ''Giving Up the Ghost'', com som de marimba pontuando breakbeats intermináveis.
O hip hop, gênero que Shadow diz representar, chega recheado de scratches em ''Walkie Talkie''. A exemplo do primeiro trabalho do DJ, ''The Private Press'' potencializa as utilidades do sampler, podendo ser adotado em sessões ilustrativas de audição para aqueles que ainda resistem aos apelos de grooves extraídos das máquinas.


