Mestre das baquetas
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A nata da música popular brasileira já requisitou os serviços do baterista Carlos Bala. Duvida? Puxe aleatoriamente qualquer álbum de Chico Buarque, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Djavan, João Bosco, Fagner, Gal Costa ou Maria Bethânia de sua coleção de discos.
Agora olhe os créditos. O nome dele está ou não está presente ali como o baterista convidado da maioria das gravações? Presença constante também nos shows dos artistas citados, Bala traz sua experiência hoje a Londrina onde comanda um workshop a convite da loja Sonkey.
A atividade começa às 19h30 e tem duração de 1 hora e meia a duas horas. A taxa de participação é de R$ 10. ''Não será uma aula puramente teórica. Vou utilizar sons pré-gravados, tocar e falar sobre técnicas, critérios e conduta profissional. Quero promover um diálogo com a rapaziada'', adianta ele, por telefone.
Há dois anos, o baterista veio acompanhado de outros instrumentistas do Rio de Janeiro para participar do 27º Festival de Música de Londrina. Ficou duas semanas na cidade. Desta vez, vem sozinho. ''Pela programação estarei só, mas de repente podemos ter uma surpresa e aparecer um baixista ou alguém para fazer uma jam. Vamos ver'', assinala.
Bala, apelido de Carlos Alberto Vieira Gomes, está às vésperas de completar 40 anos de carreira. Nascido em Maceió (AL), ele é o irmão caçula de Beto Batera, que o introduziu às baquetas e conquistou prestígio acompanhando artistas como Nelson Gonçalves, Benito di Paula, Zé Geraldo e Eduardo Araújo. Com o estímulo em casa, deu os primeiros passos tocando em grupos de baile na cidade natal, em 1970.
Depois mudou-se para Recife onde tocou em boates, hotéis e diversas formações, como a Orquestra Romançal (criada por Ariano Suassuna), a Banda Municipal do Recife e a Orquestra de Frevos (do maestro Guedes Peixoto). No final dos anos 70, seguiu para São Paulo e em meados da década de 80 trocou outra vez de endereço levando mala e cuia para o Rio de Janeiro onde está até hoje.
De lá para cá, fez nome tocando não apenas em discos e shows das estrelas consagradas da MPB como da música instrumental como Márcio Montarroyos, Luis Avellar, Vitor Santos, Nico Assumpção, Toninho Horta, Hélio Delmiro e Nivaldo Ornellas. ''Posso me considerar um cara de sorte'', diz. Referência para as novas gerações de bateristas, seu estilo peculiar e jazzístico de tocar passou a ser definido pela crítica como ''flutuante''.
Apesar da longeva trajetória, somente agora está prestes a realizar um antigo sonho: a gravação de seu próprio CD-solo. ''Isso está próximo de acontecer, provavelmente no próximo ano'', salienta. Outro projeto engatilhado envolve os músicos Arthur Maia (contrabaixo), Marcelo Martins (saxofone), Paulo Calazans (piano) e João Castilho (guitarra).
''Ao longo dos últimos 20 anos, nos encontramos algumas vezes tocando em gravações de um artista e outro. Neste ano, conseguimos nos juntar e fizemos shows no circuito Sesc de São Paulo. Existe uma química entre nós. Acho que esse projeto ainda vai dar pano pra manga. É só combinar as agendas que vamos fazer algo, talvez um disco'', anuncia. Por enquanto, ele segue alternando workshops e participações em shows e gravações. Atualmente, está em turnê com a cantora Simone.
Serviço
- Workshop com o baterista Carlos Bala
Quando - Hoje, 19h30
Onde - Loja Sonkey Video Som (R. Souza Naves, 09), em Londrina
Quanto - R$ 10
Mais informações - (43) 3377-6800


