São Paulo, 11 (AE) - Um dos melhores representantes da nova geração da música pernambucana e um dos precursores da redefinição e expansão das tradições nordestinas nos anos 70 estarão se apresentando neste sábado e domingo em São Paulo. No teatro Studium (antigo Záccaro), o grupo Mestre Ambrósio faz o show de lançamento de seu 2º CD "Fuá na Casa de Cabral". No Sesc Pompéia, o roqueiro Zé Ramalho faz gratuitamente a apresentação de seu recente disco "Eu Sou Todos Nós".
O Mestre Ambrósio quer mostrar no show o mesmo amadurecimento que marca seu novo trabalho. Se o disco amplia a interação das manifestações de Pernambuco com outros gêneros - resultado da maior liberdade de criação dada aos integrantes do conjunto, ao contrário da anterior centralização desta criação no rabequeiro Siba - o palco mostra instrumentistas de grande e envolvente presença cênica.
A direção artística da apresentação passou a ser assinada pelos próprios ambrosianos Hélder Vasconcelos (fole de oito baixos e percussão), Mazinho Lima (baixo e triângulo) e Sérgio Cassiano, Maurício Alves e Eder "O" Rocha (todos percussionistas). "Esperamos muito tempo para poder virar esta página. Este show vai dar uma renovada geral em nossa carreira e estamos muito ansiosos", diz Vasconcelos, resumindo a expectativa e a importância da apresentação para o grupo.
De fato, a fórmula esboçada no primeiro trabalho registrado em uma gravadora independente, em 97, parece ter sido encontrada. Mais do que dar ao grupo uma maior visibilidade no mercado e garantir espaços importantes de divulgação na mídia, a ida do Mestre Ambrósio para uma grande gravadora (Sony) resultou na produção da melhor sonoridade que atualmente vem da região do mangue.
Primores como "Chamá Maria, Usina, Pescador, Fuá na Casa de Cabral e Pé-de-Calçada" refletem uma riqueza rítmica crua, sem pretensões tecnológicas forçadas.
Mais próximo de discos voadores que das discussões estéticas sobre os rumos da música nordestina, Zé Ramalho mostra novidades do melhor rock-and-roll paraibano. "Eu Sou Todos Nós" traz a marca ufológica do compositor na letra de canções como "Falido Transatlântico". Outras de impacto imediato, mesmo que ainda desconhecidas, são o galope "Beira Mar (Capítulo Final) e Companheira de Alta Luz".
A legião dos órfãos de Raul Seixas, que identificou em Ramalho os mesmos propósitos e lhe dedicou uma impressionante fidelidade, não será esquecida. "Medo da Chuva" e "Trem das Onze" garantem um dos melhores momentos do espetáculo, além das releituras de sucessos antigos como "Admirável Gado Novo, Avohai, Chão de Giz, Vila do Sossego e Frevo Mulher".

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