Mesma missão em nova forma
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Márcio Maio<br>TV Press 
"Malhação" atingiu a maioridade completou 18 anos no último dia 24 de abril. Com ela, passou, de fato, por uma grande transformação. Se antes era tratada como série adolescente e com características peculiares desse tipo de segmentação, agora parece mesmo ter assumido a postura tradicional de novela. Tanto que, ao contrário das temporadas anteriores, o foco está visivelmente ligado também e, com o passar do tempo, provavelmente com mais força aos personagens experientes.
Isso se comprova até nos créditos da abertura, que se iniciam com os nomes de Tuca Andrada e Isabela Garcia, que interpretam os apaixonados Ronaldo e Vera. E a forma como a história é apresentada deixa claro que, dessa vez, a trama central não se limita a uma galera de colégio, faculdade ou até academia como nos primórdios do projeto, o que justifica seu nome.
Na trama, Ronaldo e Vera se mudam para um grande casarão com seis filhos de uniões distintas. Contando com agregados da família, amigos e vizinhos que frequentam o espaço, a estratégia não só abre possibilidades de mais conflitos envolvendo faixas etárias distintas, como também economiza sem fazer feio na questão dos cenários. Isso porque junta, em um único local, mais de 10 pessoas. Incluindo aí também os mocinhos jovens interpretados por Bianca Salgueiro e pelo estreante Gabriel Falcão. E também a antagonista Sophia, vivida por Hanna Romanazi.
Essa reunião da família em um único imóvel promove uma inquietude juvenil e, ao mesmo tempo, faz com que os assuntos ligados a pais e filhos entrem mais em debate. Algo que até aconteceu em algumas temporadas, como quando Lilia Cabral deu expediente como mãe da mocinha Tati, de Priscila Fantin. Mas há tempos não vem sendo trabalhado em "Malhação".
A direção também mostra que se trata de uma nova fase. Agora no núcleo de Dennis Carvalho, "Malhação" chega com mais externas e personagens que, assim como nos folhetins tradicionais, ajudam a recontar a trama para quem perdeu alguma parte. Até a vilã é do núcleo adulto, na pele de Alexandra Richter. Aliás, sua presença no elenco, assim como a do engraçado Pedro Henrique Monteiro, evidencia mais uma característica típica das telenovelas: a aposta em um ou mais núcleo cômico forte.
Alexandra ganhou novo "status" na Globo depois de se destacar na pele da deslumbrada Sônia de "Cheias de Charme". E Pedro já marcou presença nos seriados de humor "S.O.S. Emergência", da Globo, e "Quase Anônimos", do Multishow. Os dois são certamente grandes trunfos na hora de fazer graça com o público.
Texto não é problema nessa temporada. Patrícia Moretzsohn volta ao posto de autora depois de ter ajudado a colocar o seriado no ar em 1995. Na época, era uma espécie de consultora jovem da equipe. Hoje, aos 39 anos, divide com a mãe, Ana Maria Moretzsohn, a autoria do folhetim. Isso depois de já ter emplacado outras temporadas no programa e ter colhido todos os louros do sucesso da versão nacional de "Floribella", feita pela Band. Já Ana faz jornada dupla: além de "Malhação", assina com Ricardo Linhares o texto de "Saramandaia". Ou seja, "Malhação" hoje pode, de fato, ser considerado um programa feito em família e, mesmo ainda ligado ao universo adolescente, direcionado para toda ela.


