Nelson Sato
De Londrina
Álbuns duplos e ao vivo das bandas Guns N’ Roses e Metallica já estão nas lojas. A primeira quebra jejum de seis anos longe do mercado; a segunda é acompanhada por uma orquestra sinfônica
Uma foi expoente do thrash metal, outra revitalizou o hard rock. Mas tanto Metallica quanto Guns N’ Roses parecem hoje em dia apenas cumprir papéis coadjuvantes no panorama das guitarras pesadas deste final de década.
Seus novos discos, respectivamente S&M e Live Era 87-93, não valem nem os pôsteres manchados que um dia os fãs colaram no teto do quarto. Os dois títulos, duplos e ao vivo, já estão disponíveis no Brasil pela gravadora Universal.
O Metallica traz apenas duas faixas inéditas (‘‘No Leaf Clover’’ e ‘‘Human’’) e o Guns nem isso. São registros caça-níqueis programados para atacar os consumidores durante as festas natalinas e de passagem de ano. Na empreitada, Kirk Hammett, Lars Ulrich, James Hetfield e Jason Newted são acompanhados por 140 músicos da Orquestra Sinfônica de San Francisco sob a regência de Michael Kramer.
As gravações foram realizadas durante dois dias em abril de 99, no Berkeley Community Theater, em Berkeley, na Califórnia. Mas o que sugere um projeto ambicioso, não passa de um vexaminoso mico, ao qual a banda foi levada após se empolgar com as versões orquestrais de suas músicas feitas dois anos atrás pelo quarteto de violoncelos Apocalyptica, da Finlândia.
As guitarras motorizadas, as batidas sísmicas e as habituais mudanças de andamento que caracterizam o som da banda vão a pique pedindo socorro em meio a um maremoto de cordas, oboés, clarinetes, trombones, trompetes e demais instrumentos que forram os arranjos. O naufrágio afoga um hit atrás do outro levando de roldão ‘‘Master of Puppets’’, ‘‘Enter Sandman’’, ‘‘Sad But True’’ e as demais num total de 21 faixas.
O trabalho, na verdade, apenas acentua a desorientação por que passa a banda desde o lançamento há três anos de Load, quando seus integrantes cortaram os cabelos e foram acusados de amaciar a pauleira. De lá para cá, eles pouco compuseram lançando na sequência um álbum com sobras de gravação do disco anterior e um CD só de covers.
Pior situação viveram os seguidores do Guns N’ Roses, que amargaram seis anos sem ver a cor de um disquinho novo cintilando nas prateleiras das lojas. A expectativa, contudo, não foi aplacada pelo novo trabalho. Live Era 87-93, como o próprio título diz, traz apenas Axl Rose e companhia no auge tocando ao vivo repertório antigo.
Nem a comentada música inédita ‘‘Oh My God’’ entrou no disco, incluída apenas na trilha sonora do filme Fim dos Dias, estrelado por Arnold Schwarzenegger. A única novidade é ‘‘It’s Alright’’, uma cover do Black Sabbath que não está em nenhum disco do Guns. Entre as canções reunidas figuram as radiofônicas ‘‘Patience’’, ‘‘Don’t Cry’’, ‘‘Sweet Child O’Mine’’, ‘‘Knockin’ On Heaven’s Door’’ (cover de Bob Dylan) e outras menos manjadas como ‘‘Estranged’’, ‘‘I Used To Love Her’’ e ‘‘Rocket Queem’’.
O material foi recolhido de diversos shows pelo mundo. Ao fim da audição, a impressão continua a mesma de dez anos atrás: os vocais esganiçados de Axl são duros de engolir e o Guns nunca passou de um decalque do Aerosmith dos anos 70.