A principal arte marroquina está nos souks, verdadeiros mercados persas que resistem ao tempo e nos quais se pode comprar desde uma djellaba até uma cabeça de carneiro - é impressionante a exposição delas em tablados de madeira armados na rua por vendedores que parecem os camelôs das metrópoles brasileiras. A cabeça de carneiro é uma iguaria da culinária marroquina. Come-se o cérebro.
Os souks são informalmente divididos em áreas e um passeio pelos labirintos que estes mercados medievais formam é uma descoberta. Em cinco minutos você já estará perdido, mas perceberá que sempre acabará saindo no centro de um lugar que é a referência no centro comercial, seja uma praça ou um prédio público. Durante o passeio é possível descobrir dezenas de cores e fragrâncias, seja de flores ou temperos.
Nos souks os marroquinos exercitam a tradicional arte árabe da negociação, o que pode ser intolerável para os padrões ocidentais. É um jogo complexo. Não imagine entrar em uma loja ou parar em frente a uma tenda e ter resposta imediata ao perguntar o preço de alguma coisa. O marroquino quer, antes de mais nada, que o cliente goste do produto. Então ele faz o turista tocar o objeto, avaliá-lo cuidadosamente, prová-lo. E tem a sensibilidade apuradíssima para perceber se o potencial comprador foi ou não seduzido.
O preço inicial, claro, varia de acordo com a impressão que o cliente demonstra ter do produto. Normalmente, ainda que o consumidor não tenha exibido interesse, o valor inicial é sempre muito alto. Daí inicia-se o leilão. Entrando no jogo, lance após lance, invariavelmente um produto sai por menos da metade do valor inicial.
O artesanato marroquino é bastante variado. Lamparinas que parecem ter saído de filmes das 1.001 noites, cerâmica, peças em lã e couro e maravilhosas caixinhas de cedro e tuia. Além disto, nos souks é possível encontrar uma grande variedade de temperos - em especial pimentas - e alfazema desidratada, usada para fazer sachês.
Mas nada seduz mais do que a prataria e os tapetes. As peças de prata são belíssimas, delicadas. Anéis, pulseiras e correntes que só mesmo um bom conhecedor é capaz de determinar se são feitas de metal autêntico ou não. A prata marroquina é famosa por sua pureza, mas como em qualquer país do terceiro mundo, falsificações são inevitáveis.
Os tapetes artesanais também são fantásticos. E caros. Cada peça pode perfeitamente ser comparada a uma obra de arte. Quanto mais pontos (como são chamados os nós feitos) por centímetro quadrado, mais caro é o tapete. E são de vários tipos. Há os de origem berbere, com desenhos tribais. Os kilim e os persa, os mais caros. As grandes lojas marroquinas têm um sistema de entrega que dizem funcionar perfeitamente para qualquer parte do mundo. Assim, você pode deixar alguns milhares de dólares lá e receber aqui no Brasil o seu tapete. Os tapetes de boa qualidade podem custar entre 300 e 500 dirhams o metro quadrado, ou seja, entre US$ 28 e US$ 46. (E.M./AE)

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