Curitiba Não é só o tempo que determina o valor de uma antiguidade. Móveis e objetos antigos têm uma série de características que indicam a sua origem, o seu estado de conservação e, principalmente, o seu preço. O mercado é promissor, mas exige um conhecimento ímpar de quem já está inserido nele ou quer entrar nessa área. E seja para colecionismo ou para decoração, conhecer uma peça antiga depende de muito estudo e prática. Assim como a peça, quem trabalha no ramo precisa ser ''lapidado''. ''É preciso muita pesquisa'', atesta o antiquário Gilmar Zandoná. Em parceria com o sócio Everton Mesquita, ele montou há 14 anos o Antiquário Casarão, em Curitiba. Além de vender móveis e objetos antigos eles prestam um trabalho raro no ramo: dão assessoria para quem quer investir em obras de arte antigas, vendê-las ou apenas ter em casa uma peça que tem valor histórico.
A assessoria, um trabalho extremamente personalizado, tem que ir ao encontro do gosto do cliente. E não é apenas para quem tem dinheiro para investir (e é preciso muito, diga-se de passagem), mas para quem quer decorar um ambiente, tem um acervo em casa herdado da família e quer se desfazer ou apenas conhecer o valor dos objetos. Segundo Zandoná, esse amplo universo de antiguidades oferece peças com uma média de preço que pode variar de 1 mil a 500 mil dólares. Recuperou o fôlego? Pois é, estamos falando de peças que não se encerram na sua forma, mas tem um valor histórico inestimável e incalculável.
''Mas para o objeto ter valor você precisa identificar a sua origem, saber a sua procedência. Nesse mercado, a falsificação ainda é o pior problema'', ensina Zandoná. Ele deixou a carreira de veterinário para investir em antiguidades e há mais de uma década se dedica a estudar o ramo. E explica: ''A argentina e o Uruguai, por exemplo, se especializaram em réplicas. Para garantir a autenticidade da peça, é preciso saber de onde ela veio. Conhecer sua história para saber seu valor'', conta.
Segundo ele, colecionadores ainda são maioria quando o assunto é comércio de antiguidades. Em segundo lugar vem a decoração. ''Mas acho que com o passar do tempo, isso vai se igualar. Hoje é bastante comum as pessoas quererem decorar suas casas com móveis e objetos antigos''.
Isso acontece, segundo ele, porque comprar móveis e produtos antigos é um investimento, diferente da decoração moderna. ''Se você compra um conjunto de cadeiras antigas, vai poder revendê-las por um bom preço quando cansar da decoração, por exemplo. Já os móveis contemporâneos perdem o seu valor'', argumenta. Mas é preciso cuidado, ele conta uma história clássica no ramo, sobre uma pessoa que vendeu objetos antigos, resultado de herança, e um especialistra na área revendeu o mesmo objeto por um valor quinze vezes maior.
''Por isso tanto para quem está vendendo quanto quem está comprando precisa de conhecimento ou de uma assessoria especializada para não fazer uma negócio ruim'', salienta Everton Mesquita. Engenheiro Civil, ele também largou a profissão para se dedicar ao estudo de peças antigas, assunto que na Europa é motivo de mestrado e cursos especializados, mas que no Brasil ainda é pouco difundido. ''É um conhecimento a longo prazo. Você vai apurando o diagnóstico com o tempo'', conta. Ele explica que o valor de uma peça é determinado pelo cheiro, pelo entalhe, pelo corte da madeira e até pelos encaixes. ''Esse conjunto de características ditam a autenticidade da peça, mas são detalhes difíceis de conhecer. Por isso, um antiquário não se faz em um dia''.
Mesquita lembra que as famílias brasileiras começaram a redescobrir a arte sacra brasileira que reúne as peças mais valiosas quando o assunto é antiguidade no começou do século passado. Desde essa época até agora, móveis estilos Dom José e Dom V são os mais valiosos, assim como pratarias. As pratas brasileiras são o que tem mais saída no mercado para colecionadores, já a decoração aposta em lustres suntuosos.
Algumas peças, no entanto, ultrapassam a linha de decoração e são verdadeiras obras de arte. Mesquita dá alguns exemplos do acervo que ele e o sócio angariaram na última década, peças de encher os olhos, cujo valor não pode nem mesmo ser divulgado, como um anjo tocheiro do século 18. A peça é talhada em madeira policromada, veio de Portugal e os sócios a adquiriram numa coleção particular.
Um anjo querubim, esculpido em madeira, também integra a coleção dos sócios, e tem uma característica histórica: o corpo dele segue o estilo das esculturas de anjos da época, mas o rosto é semelhante a um índio brasileiro. A escultura também é datada do século 18. Outras peças também chamam a atenção pela história, como um retábulo em madeira do século 18 que traz em sua formação o símbolo da coroa portuguesa. Esses são só exemplos, que de tão raros (e valiosos) não podem ser adquiridos por qualquer pessoa, mas quem quer ter uma antiguidade em casa deve ficar atento à história e evitar falsificações. ''A antiguidade é sempre um investimento. Se a peça foi autêntica nunca vai perder o seu valor'', conclui Mesquita.

Serviço:
- Contatos para assessoria em investimento em obras de arte, curadoria para exposições, palestras, restaurações e avaliação de espólios podem ser feitos pelo telefone (41) 3339-5427.

mockup