MERCADO EM CRISE - A pirataria venceu mais uma vez
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Parece nostalgia imaginar que, até pouco tempo atrás, a ansiedade de esperar o lançamento de um grande álbum durava meses. Isso quando ainda as lojas de discos marcavam presença nos principais centros urbanos. Hoje, a concorrência chega a ser desleal: vendas pela internet, downloads de títulos integrais na rede e, o mais problemático de todos, a pirataria.
Em Londrina, o sócio-proprietário da Capital Discos, Aristides dos Santos Filho, também conhecido como Tide, revela que o cenário é desanimador. Tanto é verdade que, com 28 anos de atuação no ramo, o comerciante anunciou que está encerrando as atividades com produtos fonográficos e agregados, como a linha básica de instrumentos musicais e acessórios. ''Quem trabalha com música fica apaixonado por ela. Você fica com a música no sangue e parece que não sabe fazer outra coisa. Mas você tem que se adaptar. Acredito que seja uma tendência as lojas de discos acabarem'', refletiu Tide, que deve seguir no comércio com a venda de artigos para presentes e confecções masculinas.
A idéia de trabalhar com outro segmento, na realidade, teve início há três anos, segundo ele. ''Nossos carros-chefes sempre foram os LPs e K7s, antigamente, e os CDs e DVDs. Mas tivemos que ampliar o leque de variedade para tentar aumentar as vendas, então, iniciamos as confeccções masculinas e outros artigos'', disse.
De acordo com Tide, o estado do Paraná chegou a ocupar o 4º lugar no ranking do mercado fonográfico brasileiro, mas devido ao crescimento desmedido da pirataria, quase passa despercebido pelas grandes gravadoras. ''Antigamente, o representante de uma gravadora levava cerca de uma semana para percorrer de Londrina até Foz do Iguaçu. Hoje, eles praticamente nem vêm a Londrina, pois a despesa é maior que o faturamento. É o que acontece com as lojas de CDs: o montante que você vende não cobre as despesas que se tem'', exemplificou uma das consequências do encolhimento mundial da indústria fonográfica. Para o comerciante, a localização física do Paraná acabou facilitando a consolidação do outro importante agravante: ''A pirataria, pincipalmente por estar próximo de Foz do Iguaçu, que faz fronteira com o Paraguai''.
Tide acredita que o consumidor está em busca do preço mais acessível, desconhecendo os reais motivos do valor agregado ao produto original. ''O brasileiro tem musicalidade na alma. Ele quer comprar o CD, mas ele se depara com o preço de R$ 25,00 na loja e acha caro, já que na rua ele adquire por R$ 3,00. Eu também acho que se o CD fosse mais barato, aumentaríamos de 30 a 40% nas vendas'', ponderou. O comerciante acrescenta que não se posiciona contra o camelódromo e os ambulantes, desde que estejam trabalhando com produtos legalizados. ''E acredito, também, que o percentual que baixa música na internet não atrapalha tanto quanto a pirataria de rua'', disse.
Vamos aos números. Segundo Tide, ele chegou a comprar até 15 mil peças de um mesmo título, como foi o caso da trilha sonora da novela global ''O Rei do Gado''. ''Hoje, pra gente comprar 100 exemplares de um título é bem difícil'', completou. Atualmente, a loja apresenta cerca de quatro mil títulos em CDs e apoximadamente mil títulos em DVDs.
A Capital Discos, na época uma distribuidora sem o nome fantasia, surgiu em 1960 em Londrina, por iniciativa de Aristides dos Santos, pai de Tide, com um de seus irmãos. Anos mais tarde, toda família de Seu Aristides acabou se envolvendo com os negócios. Inicialmente os vendedores percorriam o Estado com uma perua Kombi recheada de produtos - LPs 33 rotações, na ocasião - a pronta entrega.
Com o aumento dos combustíveis, a solução foi inaugurar lojas - 28 no total - que se espalharam por Londrina, Maringá e Mato Grosso. Quase na década de 90, dada a evolução para o CD, o enfoque foi dado apenas no Paraná. Das 11 lojas especializadas, oito pertenciam à família de Tide. Atualmente, restaram-se apenas duas que, nos próximos meses, estarão encerrando a comercialização de produtos fonográficos. Ao que tudo indica, restarão apenas as lojas de departamento e megastores. Será realmente o fim?


