A Bienal Internacional do Livro, que começou ontem no Rio de Janeiro, vai abrigar um stand da editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel). Para a Bienal, a repercussão talvez seja mínima, ou quase nenhuma.
Mas para a editora, a investida tem importância histórica. Afinal é a primeira vez que as publicações de seu catálogo poderão ser vistas, folheadas e adquiridas pelos visitantes da feira. ''O estímulo para participar não vem tanto do retorno financeiro, mas da idéia de fixar uma marca. O que interessa é que as pessoas conheçam os títulos de nosso acervo'' explica Patrícia Castro Santos, diretora da Eduel.
Na bagagem, ela levou 6 lançamentos. Um deles, ''Funcart: Arte sem Firula, Cultura sem Frescura'', inaugura uma coleção de artes da editora. De autoria das jornalistas Iara Lessa e Joice Montefeltro, o volume conta a história da Fundação Cultura Artística de Londrina. ''O livro comemora os 10 anos da instituição. Foi feito para organizar as informações que estavam dispersas em páginas de jornais, atas e no próprio site da Funcart. Não é um trabalho investigativo. Fala mais das glórias do que dos conflitos surgidos ao longo de sua trajetória'' explica Iara.
Ilustrado com fotos de todos os espetáculos apresentados pela companhia de dança da fundação (o Ballet de Londrina), contém ainda depoimentos de gente como o ator Paulo Autran, a crítica de dança Helena Katz, o diretor de teatro Paulo de Moraes, o professor Alcides Carvalho e o secretário de cultura Bernardo Pellegrini.
Outro lançamento na Bienal é ''Rede Autopoética: a Vida da Vida'', de Luis Carlos Bruschi, que sugere uma visão de uma biosfera como sistema. Também saltando da gráfica, o volume ''Oralidade e Literatura: manifestações e abordagens no Brasil'' procura retratar a diversidade da cultura oral através de cantos e contos. Organizado por Frederico Augusto Garcia Fernandes, propõe-se a fazer uma reflexão sobre a poesia oral brasileira e ajudar a combater preconceitos em torno da linguagem repensando o papel da voz enquanto geradora e reprodutora de sentidos.
Já a obra ''Whilhelm Dilthey e a Autonomia das Ciências Histórico-Sociais'', de José Carlos Reis, destaca o tema da alteridade, ou seja, a possibilidade de o sujeito se (re)conhecer no outro. O livro, produzido como uma atividade de pós-graduação, discute questões cruciais: como compreender homens de civilizações diferentes de nós? Como abordar de modo compreensivo o outro? Em que termos formular a alteridade humana?
Para Reis, Dilthey é um autor indispensável por enfatizar a relevância do trabalho de compreensão do outro, no intuito de tornar possível a convivência entre os homens. A fornada de lançamentos inclui ainda duas traduções: ''Fernand Braudel e as Ciências Humanas'', do mexicano Carlos Antonio Aguirre Rojas com versão de Jurandir Malerba; e ''Semântica'', do italiano Genaro Chierchia com versão de Luis Arthur Pagani, Rodolfo Ilari e Lígia Negri. Esta última obra é uma co-edição da editora da Unicamp.
Além dos lançamentos, a programação da editora no Rio vai contar com duas mesas-redondas. A primeira, ''Arte sem Firula, Cultura sem Frescura'', será realizada na próxima segunda-feira, às 20 horas, no Café Universitário do RioCentro, com participação de Roberto Pereira (crítico de dança do Jornal do Brasil), Simone Mazzer (cantora e atriz do grupo Armazém), Leonardo Ramos (diretor do Ballet de Londrina) e Silvio Ribeiro (diretor da Escola Municipal de Teatro de Londrina).
A segunda mesa, ''Poesia Oral em Perspectiva'', será instalada no dia 22, às 20 horas, no mesmo local, com participação de Mário Cézar Silva Leite (coordenador do Grupo de Trabalho de Literatura Popular e Oral da Anpol), Luiz Carlos Borges (do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro), Sérgio Paulo Adolfo (professor da UEL) e Frederico Augusto Garcia Fernandes (professor da UEL).
Patrícia de Castro lembra que os três livros de autores locais (os três primeiros comentados nesta reportagem) serão lançados também em Londrina, em data a ser marcada em junho. Anuncia ainda que depois da Bienal do Rio, a Eduel estará presente nos próximos meses na Feira do Livro de Guadalajara (México), no Salão do Livro em Belo Horizonte e na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha).
Segundo ela, a integração da editora aos eventos de grande porte acrescenta-se à nova proposta da casa, cujas mudanças passam por preocupações antes vistas com desdém. ''Estamos dedicando atenção não só aos conteúdos, mas também à programação gráfica dos livros, que devem ser visualmente agradáveis'' ressalta. Para os leitores locais, a diretora adianta duas boas notícias.
A primeira é que todos os títulos do catálogo serão comercializados a preços promocionais, com descontos entre 25% e 50%, de segunda a sexta-feira da próxima semana na Livraria do Campus (em frente à Biblioteca Central). A outra é que a editora deverá abrir brevemente uma livraria na Casa de Cultura da UEL, no Centro da cidade.

mockup