Os discípulos de Luiz Gonzaga fazem fila nas portas das gravadoras. Depois de animar baladas da classe média nas principais capitais do país, o forró pé-de-serra virou a bola da vez da indústria fonográfica.
O modismo já borbulhava há pelo menos três temporadas em casas noturnas conceituadas do sudeste, quando ainda ninguém cogitava o esgotamento da axé music e do pagode – ou previa o estouro do batidão carioca no último verão.
Agora, com o declínio desses ritmos, o mercado começa a ser invadido pelos triângulos, zabumbas e sanfonas. O fenômeno atende pelo nome de forró universitário e promete infernizar os tímpanos do país. O sucesso do grupo Falamansa, que vendeu 1,4 milhão de cópias do CD ‘‘Deixa Entrar ...’’, forneceu o argumento definitivo para a nova aposta.
Outro grupo, o Rastapé, também assanhou o empresariado musical ao conquistar recentemente um disco de platina, que corresponde a 250 mil cópias vendidas. O rótulo colado à tendência tem origem na adesão dos universitários ao gênero, ao qual passaram a dançar em bailes e posteriormente montar grupos, muitos deles formados depois de visitas a Itaúnas, cidade mineira que se transformou em ponto de encontro de forrozeiros.
Neste mês, vários CDs de estréia estão chegando às lojas. Na esteira, até formações que incursionam pelo gênero há mais de duas décadas começam a ser contratadas a toque de caixa pelas grandes companhias. É o caso dos trios Nordestino e Virgulino, ambos lançando novos trabalhos pela Abril Music, gravadora que tem explorado o slogan ‘‘a nova cara do forró’’.
Também chancelado por ela, o sexteto PeixeElétrico traz 12 composições próprias em seu álbum homônimo, todas assinadas por Ricardo Trip. Pela Sony, acaba de sair o disco do quinteto carioca Paratodos, que foi apadrinhado pelo guitarrista Robertinho do Recife. A maioria de suas composições traz a assinatura do baixista Eduardo Krieger, filho do maestro Edino Krieger.
A mesma gravadora está lançando ‘‘Feito Brasileiro’’, de Miltinho Edilberto, com participações especiais de Falamansa, Trio Virgulino e Maria Bethânia. A EMI investe nos grupos Circuladô e Forró Chama Chuva. O repertório do primeiro inclui uma versão pé-de-serra do hit ‘‘Tudo Azul’’, de Lulu Santos, além de regravações de ‘‘Misturar Gostoso’’, de Dominguinhos, e ‘‘Presente de um Beija-Flor’’, do Natiruts.
Na Universal, o Guentaê! faz seu debut no estúdio de gravação mesclando músicas próprias e versões de sucessos como ‘‘Mais Uma de Amor (Geme-Geme)’’, da banda Blitz, e ‘‘Maçã do Rosto’’, de Djavan. Na Paradoxx, o Bicho de Pé e o Baião D4 são os grupos que mais têm canalizado as atenções do departamento promocional da gravadora.
O disco do Bicho de Pé reúne composições próprias e várias regravações, entre elas ‘‘Asas’’ do Falamansa, ‘‘ABC do Sertão’’ de Luiz Gonzaga e ‘‘Anjo Tentador’’ de Miltinho Edilberto. O Baião D4, por sua vez, já circula nas rádios com as músicas ‘‘Flor de Mulher’’, ‘‘Boi e Walkman’’ e ‘‘O Boby’’. Seu primeiro CD inclui ainda uma versão de ‘‘Chupando Gelo’’, de Edésio Deda, com participação de Chico César, o padrinhos da banda.
Outras gravadoras rendem-se à onda. A Continental promove o grupo Caiana. A Indie Records faz o mesmo com os Filhos da Mãe e as coletâneas da série ‘‘Cooperativa do Forró’’. A Kuarup arremessa um disco de forró do ator Jackson Antunes e o segundo volume da coleção ‘‘Só Forró’’. E até a bossanovista Albatroz acaba de lançar um CD do Raiz do Sana.
Com tantos lançamentos, difícil vai ser discernir o oportuno do oportunista. Melhor recorrer a um manual de resistência.

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