Mercado aposta em destinos nacionais
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Antonella Salem<br> Agência Estado 
A indústria turística mundial não é mais a mesma desde os atentados contra os Estados Unidos, no último dia 11. No 29º Congresso Brasileiro de Agências de Viagens (Abav 2001), realizado em Brasília e que reuniu 600 expositores nacionais e internacionais, o presidente nacional da associação, Goiaci Alves Guimarães, falou do ''trauma de viajar'' daqui para frente.
''Os cancelamentos estão sendo enormes não só para os Estados Unidos. Acho que o turismo internacional vai despencar.'' Isso, segundo Guimarães, deverá, de certa forma, ''beneficiar'' o turismo interno, que vem ganhando força nos últimos anos.
''Hoje o brasileiro das classes B e C está sendo atingido'', acrescentou o presidente nacional da Abav, que mencionou as facilidades de financiamento e a popularização das viagens de avião. Ainda de acordo com eles, somente no primeiro semestre deste ano a venda de passagens aéreas internacionais caiu 5,8%. Em compensação, o mercado doméstico cresceu 10%, segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea).
A previsão de queda nas viagens internacionais é confirmada pelo representante da Travel Industry of America no Brasil, Luiz Moura. ''A situação vai afetar o turismo nos Estados Unidos, tendo um reflexo no mundo inteiro'', acredita. O diretor comercial da Air Canada no Brasil, Gleyson Ranieri, concorda: ''Nos próximos 60 dias vão ser só cancelamentos''.
Cauteloso, o mercado aguarda as consequências da tragédia norte-americana para definir estratégias. ''Em respeito ao que ocorreu suspendemos as ações de publicidade e marketing no mundo'', disse o diretor de Vendas e Marketing da Lufthansa para o Brasil, Ralf Aasmann.
Segundo dados da Abav, em 1994, 70% dos pacotes comercializados nas férias de julho eram para o exterior. Já em 2001, 77% foram para o Brasil. Além da desvalorização cambial, o presidente aponta o investimento de capital privado em infra-estrutura turística no País como fator catalisador. De 1998 para cá, por exemplo, foram abertos 300 hotéis e 10 parques temáticos, além de obras de reforma e ampliação executadas em sete aeroportos do Nordeste. Ao todo, um investimento de US$ 6,5 bilhões.


