Comédia, drama, suspense ou musicais? Não importa o gênero, pois os piratas - oriundos principalmente do Paraguai e, até mesmo, de computadores caseiros - entraram em ação. Basta se aventurar pelo Calçadão de Lodrina que você logo verá uma cena que vem sendo reprisada diariamente: vendedores ambulantes lançam toalhas forradas de dezenas de títulos em DVDs que, às vezes, ainda lotam salas de cinemas.
Uma tendência difícil de se frear, a pirataria - aliada a outros vieses da evolução tecnológica - tem sido a grande vilã das videolocadoras. Algumas, por exemplo, contam atualmente com o fluxo de apenas 10% de clientes assíduos, fator determinante para que proprietários desistam dessa batalha e coloquem tudo à venda.
Vamos aos fatos. Em Londrina, o valor de uma locação de DVD não ultrapassa R$ 6,80. Enquanto isso, o mesmo filme pirata chega a custar R$ 4,00 (ou três por R$ 12,00) nas ruas e shoppings populares. ''Hoje eu compro um filme por R$ 120,00, com nota fiscal, tudo certinho. Para que eu receba de volta esse dinheiro, sem lucro algum, eu preciso locá-lo cerca de 37 vezes. E concorrer com a pirataria é algo desleal. Desse jeito não dá pra ficar, por isso estamos tomando medidas drásticas. A locadora está à venda.'', refletiu Lourival Oliveira, proprietário de uma videolocadora, há seis anos, na área central da cidade.
Lourival revela um episódio que, se não fosse 'trágico', renderia uma boa comédia. ''Teve uma senhora que um dia chegou aqui e foi escolhendo filmes, até que no final tinha uns 15, só de lançamento. Quando ela chegou ao balcão, perguntamos se ela teria tempo de assistir tudo até o amanhã. Sabe o que ela disse? 'Mas, esses filmes não estão à venda?' - pensando que fossem piratas''
Como alternativa de tentar reverter o prejuízo, Lourival e sua esposa, que também administra a locadora, montaram uma lan house na parte superior do estabelecimento. ''Você pode perceber o tanto de gente que entrou aqui, mas para utilizar os computadores e não para alugar DVDs. Nesses últimos meses, locamos uma média de oito filmes por dia. Nos finais de semana, chegamos a 40. Para quem já locou 250 nesse mesmo período, caiu demais'', ponderou.
Segundo ele, os impactos da pirataria já começaram a ser sentidos em 2004. ''Eu comecei a perceber uma queda crescente nas locações. Principalmente quando abriu o Camelódromo. Acredito que tenha sido quando o DVD começou a ganhar mais espaço que o VHS, pois era muito difícil piratear nesse formato''. O comerciante reconhece que os DVDs não são os únicos a ganharem réplicas. ''Isso atinge os CDs, roupas, tênis, etc. Você vê loja de disco vendendo roupas, adesivos, botons, tudo para tentar dar uma equilibrada. Todos são prejudicados pela pirataria. É muito triste. Você investe, trabalha 12 horas por dia e não tem recompensa alguma.á Queremos conscientizar as pessoas para que busquem qualidade. Nós buscamos a legalidade, seguimos nossos princípios de estar dentro da lei'', enfatizou.
Uma realidade similar pode ser constatada na Zona Sul de Londrina. Alexandre Ito, administra desde 1995 uma locadora com aproximadamente 3,5 mil títulos em DVDs. Para ele, a pirataria trouxe reflexos imediatos. ''Primeiro, diminui o fluxo de locação. Você compra menos filmes, então loca menos e, consequentemente, diminui o quadro de funcionários. É um prejuízo em cadeia'', comentou.
Na tentantiva de atenuar os efeitos dessa baixa procura pelos filmes, Ito faz promoções, compra alguns títulos em sociedade, além de selecionar com mais cautela os filmes de catálogo. ''Antigamente você até podia errar, mas agora não tem como dar tiro no escuro. Priorizo filmes com artistas mais conhecidos. As locadoras estão dando seus pulos. Você tem que se virar. Mas não penso em vendê-la, pois é uma coisa de que gosto muito e faço com prazer. Vou enfrentar tudo isso, de peito aberto'', explicou.
O proprietário lembra que o ramo de video teve picos, ressaltando que os áureos tempos das locadoras se fixaram entre 1995 e 1996. ''As pessoas tinham mais condições financeiras e, quem não tinha videocassete acabou comprando. Depois houve uma estabilização. Em 2001, tivemos o boom dos DVDs, e a pirataria foi chegando. Sem contar no pessoal que baixa filme pela internet, foge da locadora e não vai mais aos cinemas'', acreditou.
Para ele, a indignação maior é com a prefeitura, que faz ''vista grossa'' para a livre comercialização de piratas: ''É como se fosse erva-daninha; a partir do momento que enraizou, não sai mais. Isso não é somente com o DVD, mas com o contrabando de outros produtos. No centro, o que você mais vê são aquelas toalhas no chão com produtos falsificados''.

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