Desta vez o impacto foi menor, até porque a sensação de déjà-vu é inegável: o gay Bruno, nova criação de Sacha Baron Cohen, reedita o espírito demolidor do jornalista Borat criado há dois anos pelo comediante inglês Sacha Baron Cohen, sem dúvida a melhor novidade no sempre problemático quesito humor cinematográfico.
O jovem (19) austríaco Bruno, além de gay, é também jornalista. Obcecado por moda e culto ao corpo, no entanto já não é queridinho no firmamento da mídia em seu país. E então decide buscar um lugar ao sol nos Estados Unidos, para onde viaja em busca da fama.
Novamente a pretensão de Sacha Baron Cohen é fazer intenso e iconoclasta comentário social narrado com um enfoque documental e de provocação nonsense. Em síntese, o filme é uma reciclagem de tons, estilo e anedotas do argumento de ''Borat'', agora adequada à condição homossexual do novo protagonista.
A história parte como sátira ao universo da moda que alimenta o culto frívolo e excessivo da estética. Mas logo este objetivo é desviado para transformar-se em uma série de diferentes esquetes - irregulares, é bom observar - que buscam parodiar a ânsia da celebridade e espinafrar a homofobia mais conservadora dos EUA.
Neste momento pode-se questionar a caricatura estereotipada que Sacha faz do homossexual, o que leva o filme em direção ao perigoso território da pesada piada genital. ''Bruno'' tem momentos realmente muito engraçados por sua incisão e irreverência. Mas há sequências de incompreensível lentidão narrativa, o que contraria o espírito politicamente incorreto e acaba atenuando sua paródia sobre hipocrisia social e atitudes demagógicas.
Ainda assim, ''Bruno'' está anos-luz à frente deste movimento chamado Nova Comédia Americana, cujos filmes mais atrevidos empalidecem diante do rigoroso ultraje de Sacha Baron Cohen. (C.E.L.J.)

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