Ima­gi­ne es­cre­ver um con­to de ­seis li­nhas e ­meia. Ima­gi­ne ­mais: um con­to sen­sí­vel, dra­má­ti­co, que reú­na pou­cos de­ta­lhes mas que fa­ça sen­ti­do. Que te­nha uma his­tó­ria den­sa e cha­me a aten­ção, tu­do em 500 ca­rac­te­res. Ta­re­fa di­fí­cil? ­Pois es­se era exa­ta­men­te o de­sa­fio de He­loi­sa Sei­xas, du­ran­te qua­se dez ­anos, quan­do era co­lu­nis­ta da Fo­lha de São Pau­lo. O re­sul­ta­do des­te tra­ba­lho foi se­le­cio­na­do e lan­ça­do com o no­me de ‘‘Con­tos ­mais que ­Mínimos’’, pe­la Tin­ta Ne­gra - edi­to­ra que es­treou no mer­ca­do bra­si­lei­ro no iní­cio de 2010.
A ­obra de He­loi­sa Sei­xas reú­ne 60 mi­cro­con­tos com te­mas va­ria­dos. Ape­sar de cur­tos, os tex­tos são in­ten­sos. Pos­suem his­tó­rias e per­so­na­gens com­ple­xos. Al­guns fa­mo­sos, co­mo o es­cri­tor ame­ri­ca­no ­Paul Aus­ter, re­tra­ta­do em seu sus­to dian­te da que­da do Mu­ro de Ber­lim. Ou­tros, anô­ni­mos, pas­sam a im­pres­são de se­rem ve­lhos ami­gos ou pa­ren­tes pró­xi­mos. O fi­nal de al­guns con­tos são im­pac­tan­tes, al­guns são tris­tes. Pou­cos têm ho­mens co­mo pro­ta­go­nis­tas. O que pre­va­le­ce, mes­mo, é o uni­ver­so ‘‘som­brio, as­som­bra­do, às ve­zes ­louco’’ da es­cri­to­ra.
‘‘Quan­tos se­gun­dos vo­cê le­va­rá pa­ra ler o que es­tá es­cri­to ­aqui? Vin­te, trin­ta, qua­ren­ta se­gun­dos? (...) Quan­to tem­po? A vi­da é as­sim, fei­ta de pe­que­nos con­jun­tos de se­gun­dos, fra­ções de tem­po so­bre­pos­tas, mí­ni­mas co­mo o es­pa­ço de tem­po que se le­va pa­ra ler is­to ­aqui. E de re­pen­te, lá es­tá: trin­ta, qua­ren­ta, ses­sen­ta - e os se­gun­dos se trans­for­mam em ­anos.’’ ­Além de es­cri­to­ra He­loi­sa Sei­xas tam­bém é jor­na­lis­ta. Nas­ceu em 1952 no Rio de Ja­nei­ro, on­de vi­ve até ho­je. Es­cre­veu o pri­mei­ro li­vro em 1995, e lan­çou, ao to­do, dez tí­tu­los.
Ou­tros lan­ça­men­tos da Tin­ta Ne­gra são ‘‘­Lugar’’, de Re­ni Adria­no, e ‘‘O Li­vro da ­Metaficção’’, de Gus­ta­vo Ber­nar­do. Es­te úl­ti­mo é uma fic­ção que reú­ne crí­ti­ca li­te­rá­ria, nar­ra­ti­vas de pin­tu­ra, fo­to­gra­fia e es­té­ti­ca. Um li­vro den­so, que não apon­ta teo­rias de­fi­ni­ti­vas. É qua­se um con­vi­te à re­fle­xão so­bre pen­sa­do­res, ar­tis­tas, fi­ló­so­fos e gran­des ­obras de ar­te. So­bre­tu­do le­va o lei­tor a uma via­gem aos enig­mas da me­ta­fic­ção - de Dom Qui­xo­te a Hitch­cock. O au­tor é ca­rio­ca, nas­ci­do em 1955. Tam­bém é dou­tor em Li­te­ra­tu­ra Com­pa­ra­da e já pu­bli­cou ­mais de vin­te li­vros.
‘‘­Lugar’’ é o ro­man­ce de es­treia de Re­ni Adria­no. Num es­pa­ço sem no­me, cha­ma­do pe­lo au­tor de ‘‘um lu­gar que não é lu­gar ­nenhum’’, qua­tro ge­ra­ções de uma mes­ma fa­mí­lia con­vi­vem com a re­cu­sa da me­mó­ria. O que cha­ma aten­ção na ­obra é o tra­ba­lho de lin­gua­gem. O tex­to é ri­ma­do, qua­se uma poe­sia. A nar­ra­ti­va ven­ceu o Prê­mio Go­ver­no de Mi­nas Ge­rais de Li­te­ra­tu­ra 2009. O au­tor nas­ceu em San­ta Lu­zia (MG), em 1981. É gra­dua­do em fi­lo­so­fia e tra­ba­lha em pro­gra­mas de in­cen­ti­vo à lei­tu­ra.


SERVIÇO
■ Contos mais que Mínimos - Heliosa Seixas
R$ 23 (96 páginas)
■ Lugar - Reni Adriano
R$ 29 (112 páginas)
■ O Livro da Metaficção - Gustavo Bernardo
R$ 49 (280 páginas)

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