Menos é mais, até em literatura
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2010
Paula Barbosa Ocanha<br> Reportagem Local 
Imagine escrever um conto de seis linhas e meia. Imagine mais: um conto sensível, dramático, que reúna poucos detalhes mas que faça sentido. Que tenha uma história densa e chame a atenção, tudo em 500 caracteres. Tarefa difícil? Pois esse era exatamente o desafio de Heloisa Seixas, durante quase dez anos, quando era colunista da Folha de São Paulo. O resultado deste trabalho foi selecionado e lançado com o nome de Contos mais que Mínimos, pela Tinta Negra - editora que estreou no mercado brasileiro no início de 2010.
A obra de Heloisa Seixas reúne 60 microcontos com temas variados. Apesar de curtos, os textos são intensos. Possuem histórias e personagens complexos. Alguns famosos, como o escritor americano Paul Auster, retratado em seu susto diante da queda do Muro de Berlim. Outros, anônimos, passam a impressão de serem velhos amigos ou parentes próximos. O final de alguns contos são impactantes, alguns são tristes. Poucos têm homens como protagonistas. O que prevalece, mesmo, é o universo sombrio, assombrado, às vezes louco da escritora.
Quantos segundos você levará para ler o que está escrito aqui? Vinte, trinta, quarenta segundos? (...) Quanto tempo? A vida é assim, feita de pequenos conjuntos de segundos, frações de tempo sobrepostas, mínimas como o espaço de tempo que se leva para ler isto aqui. E de repente, lá está: trinta, quarenta, sessenta - e os segundos se transformam em anos. Além de escritora Heloisa Seixas também é jornalista. Nasceu em 1952 no Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Escreveu o primeiro livro em 1995, e lançou, ao todo, dez títulos.
Outros lançamentos da Tinta Negra são Lugar, de Reni Adriano, e O Livro da Metaficção, de Gustavo Bernardo. Este último é uma ficção que reúne crítica literária, narrativas de pintura, fotografia e estética. Um livro denso, que não aponta teorias definitivas. É quase um convite à reflexão sobre pensadores, artistas, filósofos e grandes obras de arte. Sobretudo leva o leitor a uma viagem aos enigmas da metaficção - de Dom Quixote a Hitchcock. O autor é carioca, nascido em 1955. Também é doutor em Literatura Comparada e já publicou mais de vinte livros.
Lugar é o romance de estreia de Reni Adriano. Num espaço sem nome, chamado pelo autor de um lugar que não é lugar nenhum, quatro gerações de uma mesma família convivem com a recusa da memória. O que chama atenção na obra é o trabalho de linguagem. O texto é rimado, quase uma poesia. A narrativa venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2009. O autor nasceu em Santa Luzia (MG), em 1981. É graduado em filosofia e trabalha em programas de incentivo à leitura.
SERVIÇO
■ Contos mais que Mínimos - Heliosa Seixas
R$ 23 (96 páginas)
■ Lugar - Reni Adriano
R$ 29 (112 páginas)
■ O Livro da Metaficção - Gustavo Bernardo
R$ 49 (280 páginas)


