Menos conversa e mais ação
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um documentário contando a história das bandas surgidas em Londrina nos últimos 30 anos está sendo rodado por um grupo de produtores culturais da cidade. É um dos vários projetos em andamento, articulados em torno do que eles chamam de ''coletivo''. O núcleo começou a se reunir em maio deste ano e ajudou na realização do festival Demo Sul, ocorrido em outubro.
Depois, virou uma associação - a Associação Acena Londrina (ALONA). ''A idéia de montar esse coletivo surgiu há dois anos, mas só agora estamos conseguindo aglutinar o pessoal'', diz Marcelo Domingues, organizador do Demo Sul e um dos fundadores da entidade. De acordo com ele, a iniciativa nasceu a partir de uma questão que sempre intrigou os músicos locais: Por que as bandas de Londrina não conseguem destaque nacional?
''Chegamos à conclusão que as bandas olham para o próprio umbigo, por isso, não conseguem uma projeção maior. Daí a tentativa de chamar todo mundo para desenvolver ações conjuntas e apresentar projetos concretos na área de política cultural'', explica ele. A produção do documentário parte justamente do vácuo deixado por Arrigo Barnabé, que saiu de Londrina em 1979 para explodir em São Paulo em 1980.
''O que veio depois dele em termos de música independente na cidade? Ninguém sabe nada. Queremos resgatar esse longo período'', assinala. O material reunirá imagens de acervos pessoais e depoimentos de quem participou ou acompanhou as manifestações musicais ocorridas ao longo das três últimas décadas.
Além do documentário, a Associação está produzindo um programa de rádio voltado para as bandas pratas-da-casa. A intenção é apresentar uma edição-piloto no começo do próximo ano para a Rádio UEL. ''Temos interesse ainda em trabalhar um núcleo de bandas para colocá-las em festivais de outras regiões do País'', salienta Domingues.
Há também um esboço de uma revista destinada a veicular a produção artística independente da cidade, além da criação de uma semana de world music em 2009 abrangendo workshops e música instrumental. Outra proposta é montar um calendário de eventos com a finalidade de evitar o choque de datas entre as produções.
A maioria desses projetos foi apresentada em editais que abriram inscrições este ano e aguardam aprovação para 2009. ''O que a gente vê, por aí, são ações isoladas. Essa é uma queixa comum, principalmente de grupos menores que não conseguem patrocínio para bancar suas montagens. Agora, pela primeira vez, participo de um coletivo que propõe ações efetivas em política cultural'', assinala a estudante de artes cênicas Renata Andrea Santana de Lucia.
Além de produtores, músicos e gente de teatro, o coletivo reúne jornalistas, estudantes de Comunicação e artistas gráficos. ''Mas ele está aberto a todos os interessados de outras manifestações culturais'', avisa Domingues. Os telefones de contatos para as próximas reuniões são (43) 3026-3011, 9945-5445 e 9122-4438.


