Menores da Febem expõe 50 fotografias
São Paulo, 15 (AE) - A Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), vista de fora, é sinônimo da violência, sobretudo depois do episódio da rebelião em outubro. Mas qual a imagem que tem a instituição para os internos e monitores? A resposta está na exposição de 50 fotografias, que será aberta amanhã (16), às 10 horas, na Unidade Tatuapé.
Sob coordenação e curadoria do fotógrafo João Kulcsár, em parceria com a FujiFilm e o Senac, o projeto Fotografia e Cidadania consiste em instigar a criação de uma fotobiografia dos internos e uma leitura pessoal da realidade do "mundão", como os meninos se referem à vida do lado de fora dos muros. "Muitos dos jovens são analfabetos e, com o curso, eles aprendem a escrever e ler visualmente", explica Kulcsár.
O curso, com duração de um mês e meio, foi dividido em três fases. Os primeiros alunos de Kulcsár foram 15 monitores que, de pronto, interessaram-se pelo projeto para, mais tarde, trabalhar como educadores. Depois, foi a vez de os monitores assumir o papel do coordenador (agora, apenas supervisor) e ensinar para 17 jovens a arte da fotografia. Jovens esses escolhidos a dedo, explica Amaro Rosa, que trabalha na Febem há 14 anos. "O processo de seleção não se restringiu aos jovens com mais poder de comunicação; mas alunos que tinham dificuldade de relacionamento."
A.P.S, interno da Febem Imigrantes por quatro meses e há sete do Tatuapé, faz coro. "Nosso relacionamento com os monitores é como o de uma família", compara. A sua imagem é de destruição: uma sede queimada em 1992, mas com uma conotação otimista. "Tento passar uma experiência de vida, de sobrevivência."
Em conversa com os meninos ou nas imagens por eles captadas, é constante a referência à antítese liberdade e prisão. E.R.S., interno há 3 meses, comenta uma de suas fotos, em que um menino faz uma cambalhota no ar e "parece que está voando". O menor A.L.S.S. diz que a vida do crime é passado. Seus olhos voltam-se para a perspectiva de um prédio, fazendo uma composição em que ele vai sumindo, até chegar à rua. "É o caminho da liberdade." Já F. E.R., 15 anos, focaliza o que restou de uma antiga senzala, em que resta a natureza e a cruz. "A senzala significa que o tempo mudou", reflete.
A mostra fotográfica terá uma versão para a Internet (www.sp.senac.br) e, como interpretou Kulcsár, "os meninos não podem sair, mas as imagens, sim e, com elas, o pensamento da instituição". Está previsto para o ano que vem o lançamento de um livro com as fotos. Na terceira fase do curso, programada para fevereiro, os meninos vão redesenhar as páginas on-line. A partir do dia 22 e até 19 de janeiro, as imagens ficarão expostas no hall da secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e, de 21 a 31 de janeiro, no Senac (Rua Dr. Vila Nova, 228). Serviço - Mostra de Fotografia de Menores e Monitores da Febem. Amanhã, a partir das 10 horas. Unidade Tatuapé da Febem. Av. Celso Garcia, 2.901





