Depois de cinco anos, finalmente o longa-metragem "Meninos de Kichute" será lançado nacionalmente a partir de hoje em 15 salas de cinema em vários estados brasileiros. Em Londrina, o filme será exibido no Londrina Norte Shopping, em dois horários: 17h10 e 19h20. Uma oportunidade imperdível de ver na grande tela uma história que promete emocionar. No começo da semana, houve pré-lançamento nacional do filme no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Baseado no livro homônimo do londrinense Márcio Américo, o filme teve direção de Luca Amberg. Gravado em Piracaia (interior de São Paulo) e finalizado em 2009, a obra até agora só havia sido exibida em festivais de cinema, tendo conquistado o Prêmio do Público na categoria Melhor Filme Brasileiro dentro da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No ano passado, a atriz Vivianne Pasmanter, que no filme atua como mãe do personagem principal, arrematou com o filme o prêmio de melhor atriz no Los Angeles Brazilian Films Festival.
"A coisa mais difícil no processo de fazer um filme é conseguir exibi-lo nas salas de cinema e é preciso fazer parceria com uma grande produtora e muito investimento", comenta Márcio Américo, que vem acompanhando todo processo. Com o apoio de alguns patrocínios, o filme agora está sendo distribuído pela Pandora Filmes e ainda está em fase de negociação para ampliar o número de salas. "Essa primeira semana é fundamental para a boa aceitação do exibidor. Contamos com o apoio do público para que o filme possa chegar em mais cidades, como Maringá, Ponta Grossa", observa Américo.
Além de autor do livro, que lançou em 2003 pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), Américo participou da adaptação cinematográfica como roteirista e preparador de atores, além de colaborar na arte, figurino e trilha. "Acho que sou o autor que mais participou de uma adaptação cinematográfica, ainda mais o cinema sendo essencialmente um trabalho coletivo. Às vezes, o embate com o diretor Luca Amberg era inevitável, já que a minha preocupação era com a questão literária e a dele com a linguagem visual. Mas o resultado ficou muito bom e quem leu o livro com certeza irá gostar", adianta o escritor, que mora em São Paulo há três anos e também atua como comediante e roteirista de programas de rádio e televisão.
Nostalgia – "Meninos de Kichute" se passa na década de 1970 em um bairro operário do Brasil – no caso a Vila Nova, em Londrina - e mostra a vida de Beto (interpretado por Lucas Alexandre), menino de 12 anos que deseja ser goleiro da seleção brasileiro e que entre outras dificuldades da sua vida simples e humilde, o pai de Beto, Lázaro, vê o esporte como algo pecaminoso. Em meio a este ambiente, o menino e seus amigos criam um "clubinho" - o "Meninos de Kichute".
"Falo de um outro tempo, em que parece que as pessoas eram mais felizes, ou pareciam que eram. A rua era das crianças e era um lugar mais seguro, onde se aprendia os códigos de conduta, os valores, que levaríamos para a vida inteira", destaca Américo. "A arte não tem compromisso com a memória e sim com a emoção e o filme é emocionante", garante.
A Rua Ivaí, os campinhos de futebol, alguns personagens lendários da cidade, o Grupo Escolar Rui Barbosa , entre outras referências, estão impressas no filme, que acaba falando de um sentimento universal: a nostalgia da infância.
"O livro foi escrito de uma forma muito despretensiosa e a ideia surgiu de um conto sobre a minha infância. Acabei escrevendo vários contos e acabei percebendo que tinha material suficiente para um livro", conta o autor. "É interessante observar a reação dos adultos quando veem o filme junto com os filhos, é como se ele comprovasse as coisas ditas ao filho: ‘tá vendo, era assim mesmo’, costumam dizer", acrescenta.
O autor ainda não sabe se será possível participar da estreia em Londrina, mas torce para que o público londrinense prestigie o trabalho. "Londrina não é coadjuvante dessa história, ela realmente faz parte do filme e as pessoas irão se identificar", destaca. Londrina também será tema do próximo livro do autor – "OK, Ninguém Venceu" -, romance em que fala da efervescência do movimento teatral da cidade nos anos 80, que chegou a reunir 30 grupos de teatro, desta vez com o personagem Beto já adolescente. Tem mais emoção pela frente.

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