Menino dos olhos
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de fevereiro de 2011
Arcângela Mota <br> TV Press 
Rodrigo Faro exibe um pique invejável como apresentador. Canta, dança, conversa e interage com a plateia em um ritmo pouco comum na televisão. Fora dos palcos, o ator, cantor e apresentador paulistano de 37 anos mantém uma disposição idêntica. E fala do trabalho com uma satisfação que deixa evidente a felicidade com os rumos de sua carreira, após uma trajetória de 12 anos como ator. ''Descobri no palco, como apresentador, um prazer incrível de me relacionar com as pessoas. Não sinto saudade de fazer novela. O que quero para minha vida, o foco que estabeleci daqui para frente, é apresentar'', assegura Rodrigo, contratado da Record desde 2008, onde apresenta o ''O Melhor do Brasil'' e o ''Ídolos'', dois programas de destaque da emissora.
O interesse pela carreira de apresentador, no entanto, é muito mais antigo. Ao longo dos 10 anos em que trabalhou na Globo, Rodrigo perdeu as contas de quantas vezes tentou chegar ao comando de um programa. E é por isso que, hoje, ele descarta a possibilidade de sair da Record, onde teve essa oportunidade. ''Jamais abandonaria a emissora que me deu a grande chance que sempre busquei e nunca tive na Globo. Não é só virar as costas e ir embora. Acho que não seria justo, nem como profissional nem como pessoa de caráter'', argumenta o apresentador, que também tem planos de estrear no cinema pela Record Filmes. ''Existe um projeto bem embrionário, mas o problema agora é ter tempo porque a minha agenda está de chorar. Mas o bom é que a conta está engordando. Esse é o alento'', brinca.
Você está na Record há quase três anos, apresenta dois dos programas de maior sucesso da emissora e tem contrato assinado por mais sete anos. Já realizou todos os sonhos de sua carreira?
Rodrigo Faro - Nem no meu melhor sonho eu imaginava que isso tudo fosse acontecer em tão pouco tempo. Sonhava muito menor. Queria fazer meu programa, conquistar meu espaço devagarzinho e ser reconhecido, mas nunca nessa velocidade e grandiosidade. O que fica disso tudo é a minha essência. Quem me conhece da época em que fazia papéis pequenos na Globo e teatro para 10 espectadores, sabe que sou exatamente a mesma pessoa. Com a decência, humildade e respeito aos profissionais, sejam da imprensa, a tia do cafezinho, a moça da limpeza ou o diretor mais importante da Record. É legal ser querido e isso não tem preço. Estou satisfeito demais.
Após construir uma carreira de ator, cantor e apresentador, qual é sua ambição agora?
R.F. Ter saúde para aguentar o tranco. É muito pesado. Fico semanas sem ter um domingo livre. E uma coisa que me preocupa muito são as minhas filhas. Para onde vou eu as levo. É corrido porque tenho feito muitas gravações, eventos, comerciais, campanhas, sou mestre de cerimônias, faço ''merchandising'' em outros programas... É uma loucura. Cada dia tem algo diferente para fazer. E os dias de descanso são cada vez mais curtos.
Você gostaria de fazer de ''O Melhor do Brasil'' um programa ao vivo?
R.F. O problema do meu programa é que ele é muito grande. São cinco horas. Se parar para pensar, cada quadro do ''O Melhor do Brasil'' é quase um outro programa independente. Levo nove horas para gravar tudo. E quem já foi lá acompanhar sabe que eu gravo como se fosse ao vivo. Só paro se quebrar alguma coisa. Ficaria muito difícil fazer isso ao vivo. É um dia inteiro de gravação.
Um dos grandes sucessos do programa é o quadro ''Dança, Gatinho'', em que você se caracteriza como um cantor famoso diferente a cada semana. Como é esse processo?
R.F. É tudo feito com muito cuidado. Escolhemos um personagem, eu estudo, pesquiso na internet e ensaio a dança. Só depois começo a combinar os trejeitos da pessoa com a minha imagem no espelho. Nunca olho enquanto estou me caracterizando e, quando acaba, sempre tomo um susto. A caracterização é perfeita. Depois uso meu trabalho de ator para compor esses personagens. Mas não faço sucesso sozinho. Eu sou a ponta de um iceberg. Existe uma base de quase 50 pessoas trabalhando nisso comigo.
Você sente falta de explorar esse lado ator em novelas?
R.F. Não sinto saudades de fazer novela. O que quero para minha vida, o foco que estabeleci daqui para frente, é apresentar. Até pelo retorno que estou tendo. O público me recebeu de braços abertos e vem me dando uma audiência e um carinho que nunca imaginei receber em tão pouco tempo como comunicador. Minha ideia é crescer cada vez mais, aumentar meu público. Mas isso não me impede de fazer uma participação vez ou outra em uma novela. Não preciso abandonar a carreira de ator ou cantor. Sempre que tiver a possibilidade de uma participação, vou estar disponível.
Mas alguma coisa o faria mudar de ideia? Viver um protagonista, por exemplo?
R.F. Não. Eu descobri no palco, como apresentador, um prazer incrível de me relacionar com as pessoas. O que sinto em estar com a plateia ao comandar um programa é algo que não quero deixar. ''O Melhor do Brasil'' é um programa que fala para todo mundo, sem exceção. Do rico ao pobre, do jovem ao idoso. É muito bom ter o retorno de todo o tipo de público. Por isso que não penso, de verdade, em voltar a atuar. Nem que fosse protagonista. A ideia é me firmar cada vez mais como comunicador e apresentador.
No ano passado surgiram muitos boatos de que você havia sido sondado pelo SBT. Isso chegou a acontecer?
R.F. É tudo história. Uma vez eu fui a uma festa e uma pessoa veio me perguntar se era verdade que o Silvio Santos tinha me oferecido R$ 3 milhões. Eu falei ''Peraí, quando? Onde?''. Acho que foi só especulação. Pelo menos não chegou a mim. Só que foi um assunto muito comentado na imprensa.
Mas você aceitaria?
R.F. Não. Jamais abandonaria a emissora que me deu a grande chance que sempre busquei e nunca tive na Globo. Não é só virar as costas e ir embora. A Record me deu dois dos programas de maior audiência da emissora hoje. Acho que não seria justo, nem como profissional ou pessoa de caráter. É muito legal ler que o SBT tem interesse ou que a Globo quer que você volte, mas meu foco agora é aqui. Tenho praticamente sete anos de contrato com a Record e a gente deve prorrogar por mais uns aninhos. É sinal de que o trabalho está sendo bem aceito e tenho sido prestigiado pela emissora.
Como foi essa busca pela apresentação de um programa na Globo?
R.F. Corri muito atrás disso lá. Muito mesmo. Eu ia apresentar o ''Fama''. Cheguei a gravar o piloto do programa. Aí eles falaram: ''não, aqui você é ator''. Eu falei ''então tá bom. Beleza''. Agora, por incrível que pareça, estou apresentando o ''Ídolos'', que é um programa muito parecido com o ''Fama''. A audiência do ''Ídolos'' no Rio de Janeiro foi impressionante. Ficamos em primeiro lugar de ponta a ponta. E, com o ''O Melhor do Brasil'', conseguimos ultrapassar duas vezes a audiência do ''Jornal Nacional'' e de ''Passione''. É muito legal. Me ligaram falando que eu estava à frente da novela das oito no Rio. Eu nem acreditei.
O ''Ídolos'' é um formato importado. Qual é sua liberdade na realização do programa?
R.F. Eu nem quis ver o Ryan Seacrest, apresentador do ''American Idol''. Claro que eu via o programa, mas quando entrava o Ryan eu não queria ver. Ele é bom para caramba, mas eu não queria copiar o cara. Uma coisa que eu quis trazer para o ''Ídolos'' era o humor do apresentador. Não só o humor do sem-noção, mas o humor brincando com os candidatos na fila. A gente ligava a câmara e deixava eu improvisar. Tudo o que eu fazia ia para o ar. Todas as minhas loucuras. Depois eu assistia e falava ''meu Deus, foi ao ar''. Isso que é legal.
''O Melhor do Brasil'' - Record - Sábados, às 18:30 h.


