Menino de sete anos lança 'Os quatro porquinhos' em Londrina
Fascinado por leitura e ilustração, Luke Ekuni faz uma releitura do clássico "Os três porquinhos" com muita imaginação
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de outubro de 2026
Fascinado por leitura e ilustração, Luke Ekuni faz uma releitura do clássico "Os três porquinhos" com muita imaginação

Desde bebê, a professora universitária Roberta Ekuni lê livros para seu filho Luke Ekuni de Souza, de sete anos. A voz da mãe, sua entonação, o movimento das mãos, o farfalhar das páginas quando folhaeadas eram parte de um ritual na rotina dois dois. O olho no olho entre ledora e ouvinte eram pura sintonia e o colorido das páginas parecia saltar - dada dedicação da genitora. A dinâmica do deleite contribuiu sobremaneira para o vículo entre mãe e filho e também para que Luke criasse o hábito pela leitura de modo prazeroso. Que persiste.
Neste processo e com o apoio do pai, Bruno Miguel Nogueira de Souza, o estudante desenvolveu o gosto por desenhar e também criar suas prórpias histórias, de modo que lançou o seu primeiro livro no dia 25 de setembro, no Sesc Cadeião Cultural, em Londrina. Na ocasião, o público pode prestigiar, em primeira mão, “Os quatro porquinhos”, de Luke Ekuni de Souza, lançado pela Editora Lucto. O livro pode ser adquirido no site da editora.
O conto clássico de "Os Três Porquinhos" fábula de domínio público do folclore inglês, foi publicada em 1890 e registrada por Joseph Jacobs em sua obra original.
Leia mais:
INICIATIVA E CRIATIVIDADE
No livro do garoto, não estamos diante de uma versão da história dos três porquinhos. Trata-se de uma história que mostra que uma cobra pode ser o que ela quiser, e até ser o “lobo mau." Basta ter boas ideias. Assim, a mãe de Luke apresenta o livro.
Ela revela também que um dia o Luke chegou em casa e perguntou: “Mamãe, eu sou autista?”, ela respondeu “sim, por quê?”. Ele respondeu “Fulano disse, o Luke é autista.
"Ele continuou explicando a situação e entendi que naquele contexto, autista era um xingamento. Expliquei que não era um xingamento. Passou uns dias, o Luke estava tentando fazer algo que não me recordo, mas a frase que ele disse me marcou: 'Eu não consigo fazer isso porque sou autista'. Eu disse: 'Opa, o autismo não te limita filho, você não consegue? Vamos tentar e treinar e tentar de novo e de novo!'. Quando eu li “Os quatro porquinhos” que o Luke escreveu, lembrei desses episódios. E comentei com ele: “Nossa filho, que cobra sapeca”. Ele prontamente respondeu: “Não mamãe, ela é inteligente”.
Luke foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista aos 3 anos de idade. Ano passado, fechou a identificação de Dupla Excepcionalidade (Autismo + Altas Habilidades) e começou a escrever livros. Escreveu alguns de poucas páginas sobre amizades, alienígenas, até que surgiu “Os quatro porquinhos”. "Esperamos que o livro renda boas risadas e que o leitor possa se divertir com a imaginação de uma criança de sete anos", expõe Roberta.

O PRIMEIRO LIVRO DE LUKE
O estudante tem a atenção de múltiplos profissionais em seu desenvolvimento e, de acordo com a neuropsicóloga, terapeuta cognitiva e mestre em Psicologia Patrícia Erni de Souza, muitas vezes o entendimento sobre esta condição é equivocado. "Quando falamos em altas habilidades ou superdotação - AH/SD - muita gente, ainda imagina aquela criança que tira dez em tudo, aprende com facilidade e que, por ser muito inteligente, terá sucesso sozinha. Mas não é bem assim. Pessoas com AH/SD não são excelentes em tudo. Uma criança pode ter um raciocínio muito desenvolvido rapidamente ou apresentar um talento excepcional e, ao mesmo tempo, ser desorganizada, ter dificuldades na escola ou sofrer emocionalmente. Por isso, existe uma ideia que considero fundamental: potencial não é garantia de realização".
Assim a neuropsicóloga enfatiza que uma criança pode ter uma capacidade extraordinária, mas precisa encontrar oportunidades para se desenvolver. "E aí que os adultos tem um papel fundamental. Não basta dizer como você é inteligente, precisamos perguntar o que vamos fazer com essa capacidade". E exemplifica: "Se uma criança é fascinada por astronomia, por exemplo, podemos oferecer livros, levá-la a um observatório, aproximá-la de pessoas que conheçam o assunto. Se gosta de tecnologia arte, música, animais ou qualquer outra área, podemos ajudá-la a aprofundar esse interesse".
A profissional esclarece que existe uma diferença enorme entre elogiar um talento e ajudar a desenvolvê-lo. "Desenvolver não é pressionar para que a criança seja a melhor. É oferecer desafios, experiências e oportunidades para que ela descubra até onde consegue e deseja chegar. Também é importante lembrar que uma criança pode apresentar altas habilidades juntas com transtornos como déficit de atenção e estar dentro do espectro autista ou alguma outra dificuldade de aprendizagem. É o que chamamos de dupla excepcionalidade. Por isso, uma boa avaliação não deve olhar apenas para o número de QI. Precisamos compreender como essa criança pensa, aprende quais são suas potencialidades e onde precisa de ajuda", pontua Souza.

AS REFERÊNCIAS DE LUKE
O estudante adora ler e comecou a escrever os próprios livros. Shel Silverstein, autor de "A Árvore Generosa", o designer, ilustrador e escritor Eric Carle, de "A Joaninha Mal Humorada" e Eva Furnari, de "Não Confunda", estão entre autores que admira.
"Ele escreveu alguns de poucas páginas, alguns livrinhos que levou na terapia até que em uma noite, em casa, grampeou umas folhas de sulfite e disse que ia escrever um livro". Só deixou os pais verem no dia seguinte, quando terminou. "Lemos e achamos muito legal. Levamos para a psicopedagoga e ela disse que estava muito bom". Atualmente, Luke está lendo "Crescendo com Dislexia", de Ricardo Júnior e "Sete Histórias Para Contar, de Adriana Falcão. Mas o seu favorito neste momento, ele afirma sem qualquer dúvida: "Os quatro porquinhos", sorri.

No primeiro livro de Luke, as ilustrações também são do autor e, com bastante liberdade e fazendo uso de seu repertório, ele produziu, com autenticidade, a sua versão do clássico, "Os Três Porquinhos".
"Eu corrigi errinhos de ortografia, fiz pequenas alterações e escrevi a apresentação do livro", explica a mãe.
Em uma releitura divertida e criativa do clássico, Luke apresenta a história de quatro porquinhos que constroem casas diferentes para se proteger de uma cobra muito inteligente e cheia de ideias surpreendentes. Com imaginação e humor, ele convida os leitores a embarcarem em uma obra sobre criatividade, coragem e diversão. "Melhoramos as ilustrações para a impressão do livro porque foi escaneado pela IA, mas inscluímos as originais em uma página", explica Roberta.
SERVIÇOLivro “Os quatro porquinhos”, de Luke Ekuni de Souza
Valor: R$ 49,90
O livro pode ser adquirido no site da editora: https://luctoeditora.com.br/produto/os-4-porquinhos/


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.





