Meninas do rap
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O último show delas foi sábado passado no Calçadão, onde já se apresentaram outras vezes. A cada aparição, as meninas do grupo londrinense de rap Fábrika da Rima conquistam novos simpatizantes e recebem mais convites para subir ao palco. Na semana passada, foram três shows na cidade. Na semana anterior, cativaram o público de Arapongas.
O Fábrika da Rima virou grupo há 1 ano, montado a partir das oficinas de rima ministradas por Reinaldo Barbosa, o MC Rei, no Colégio Benjamin Constant, na Região Leste. Ele decidiu criar o grupo depois de perceber a desenvolvura vocal de algumas alunas. Sua oficina fazia parte do projeto ''Expressão Londrina Hip Hop'', patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Era realizada desde 2001 e, antes de chegar ao colégio, foi implantada em várias regiões da cidade - Jardim União da Vitória, Jardim Santa Fé, Jardim São Jorge e Jardim Fraternidade. Curiosamente, o curso sempre atraiu mais meninas do que rapazes. ''Não sei explicar o motivo. Só sei que dei aulas para 64 alunos no colégio, dos quais apenas 5 eram garotos'', conta o MC.
Vanessa Martins, 15 anos, arrisca uma hipótese. ''Os meninos preferem dançar break do que fazer rimas'', diz. Laís Deisielle, 14 anos, atribui a causa ao fato de meninas arrastarem outras meninas para uma atividade em comum. ''Somos todas amigas, uma puxou a outra'', assinala. Ambas são vocalistas/MCs do grupo que conta ainda com Gabi (vocal), Nagila (vocal), Camila (vocal), Andressa (backing vocal) e Fran (DJ).
Elas acabaram de gravar um CD-demo para divulgação. O disco traz 11 faixas, dez autorais e uma regravação da rapper paulistana Negra Li (''Mundo Jovem''). As sessões de gravação foram feitas ao longo de meses em vários estúdios de Londrina. ''É um registro de nossos ensaios. Em cada lugar que vamos, distribuímos cópias para as pessoas conheceram nosso trabalho'', afirma Rei.
Ele atua como MC e assina as composições. ''Na verdade, fazemos tudo coletivamente. Elas trazem os temas, dão sugestões e gente discute as situações. Falamos do que vivemos e do nosso dia a dia na periferia. Depois compomos juntos adaptando as batidas para cada letra'', explica.
Rei salienta que o Fábrika da Rima procura diversificar o discurso habitualmente indignado do hip hop. ''Rap não é só violência e criminalidade. Procuramos falar de coisas boas'', diz. As bases e melodias também primam pela variedade embutindo samba e jazz nas batidas. Todas as integrantes são unânimes em afirmar que, antes de se inscreveram na oficina, tinham uma visão estereotipada do hip hop.
''A gente achava que era coisa de maloqueiro, coisa do mal. Depois vi que o hip hop também pode influenciar para o lado do bem'', assinala Laís. A DJ do grupo, Francielle Tomaz Pereira, 18 anos, lembra que o contato com esse universo transformou sua vida. ''Eu tinha preconceito com as roupas que os rappers usavam. Graças ao hip hop, aprendi que não se deve julgar ninguém pelas aparências mas pelo que a pessoa é'', salienta.
A DJ, estudante do 3º ano de Pedagogia, acrescenta que seu TCC (trabalho de conclusão de curso) na faculdade será sobre hip hop. A pesquisa vai enfatizar a utilização da linguagem do movimento como ferramenta para a educação.


