Memórias na gaveta
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Geraldo Bessa<br> TV Press 
Sheron Menezzes é do tipo disciplinada. Tanto que guarda até hoje as pesquisas e anotações que fez para cada uma de suas personagens. "Já passei por processos muito interessantes na busca pelo tom de um papel. Guardo como lembrança, mas também como fonte de inspiração para trabalhos futuros", assume. Prestes a voltar ao ar como a bem-sucedida advogada Paula, em "Babilônia", próxima trama das nove que tem previsão de estreia para depois do Carnaval , a atriz baseou o início do processo de composição às referências colhidas para interpretar a romântica Sarita, advogada que viveu em "Aquele Beijo", de 2011.
A tática a fez ganhar tempo. Já sabendo de muitos trâmites jurídicos e de como funciona um escritório de advocacia, Sheron pôde focar mais nas especificidades da personalidade de Paula. "A única semelhança entre os papéis é mesmo a profissão. Sarita era doce e muito romântica. Paula já tem uma ambição maior pela vida, mas é aquela ambição boa", compara.
Fora do ar desde o fim de "Além do Horizonte", no último mês de maio, Sheron confessa que já estava com saudades do estúdios. E a volta não poderia ser mais segura. Na trama, ela será dirigida por Dennis Carvalho, diretor da maioria de seus trabalhos na Globo, em novelas como "Celebridade", "Como Uma Onda" e a premiada "Lado a Lado". "Me sinto em casa. É bacana quando um diretor acredita no seu potencial. Minha maturidade como atriz depende disso", ressalta.
Já mergulhada nos dilemas de Paula, a atriz confessa que o trabalho tem grandes chances de ser um "divisor de águas", ao menos do ponto de vista da experiência. Tudo porque ela divide a maioria de suas sequências com Fernanda Montenegro e Adriana Esteves. "É um núcleo importante dentro da estrutura da novela. São cenas bem construídas, bem ao estilo do autor", adianta, referindo-se a Gilberto Braga, que assina a trama ao lado de Ricardo Linhares e João Ximenes Braga.
Além do escritório de advocacia, a personagem de Sheron também tem função importante dentro do núcleo da favela. Criada no Morro da Babilônia, que serviu de referência ao título da trama, Paula tem a chance de sair do local após se firmar na profissão. No entanto, seu namorado, Bento, de Dudu Azevedo, resiste em acompanhá-la. "Ela é bem tranquila em morar na favela. Mas quer experimentar outras coisas. Ele já é mais tradicional e não entende essa vontade da Paula. Essas diferenças marcam a relação dos dois", entrega.
A partir daí, outra faceta da jovem vem à tona. Segundo a atriz, Paula terá vários pares românticos ao longo da história. "É uma mulher moderna e segura de si. Esse jeito dela, inclusive, meio que intimida os homens. Gostei de saber que ela seria namoradeira. Minhas personagens são sempre muito românticas, sofrem horrores", analisa, entre risos.
Apaixonada por teatro desde a infância, esta gaúcha de 31 anos recém-completados se descobriu na televisão. A estreia foi sob o comando de Luiz Fernando Carvalho, que ficou impressionado com seu teste e a escalou para "Esperança", de 2002. A partir daí, a trajetória de Sheron segue em uma crescente. Em quase 13 anos de Globo, passou pelo posto de "patricinha" afetada em "Duas Caras", chorou muito ao viver a humilde e iludida Milena de "Caras & Bocas" e teve sua primeira experiência como vilã em "Lado a Lado", um de seus papéis preferidos. "Eu gosto muito do mosaico que tenho conseguido criar na minha carreira. E ser vilã é mesmo muito instigante. Mesmo que elas, na maioria das vezes, se deem mal no final", brinca.
Comprometida com "Babilônia" até o final de 2015, Sheron teve de recusar outros trabalhos para estar inteira na trama das nove. "Já tentei fazer várias coisas aos mesmo tempo. Mas o resultado é diferente quando você foca. Muitos atores conseguem, mas, para mim, é complicado fazer novela e ter de correr para o teatro ou para um set de cinema. Quero fazer de tudo um pouco, mas não tenho pressa", ressalta.


